Confiança do consumidor sobe nos EUA e confirma melhora na economia

Índice de dezembro, o melhor em três meses, reforça as análises de que a economia se recupera gradualmente

REUTERS, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

30 Dezembro 2009 | 00h00

A confiança do consumidor norte-americano atingiu o seu nível mais alto em três meses em dezembro, enquanto os preços no abalado setor de moradias se estabilizou em outubro, quebrando um ciclo de ganhos de cinco meses.

A leitura da confiança do consumidor divulgada ontem reforçou as visões de que a economia se recupera gradualmente , e os dados de outubro sobre moradias dos índices amplamente observados do Standard & Poor''s/Case-Shiller foram interpretados como sinais de estabilização do mercado.

O índice de atitudes do consumidor, do grupo industrial Conference Board, subiu para 52,9 em dezembro, de um número revisado de 50,6 em novembro.

O pessimismo sobre o mercado de trabalho diminuiu e as expectativas do consumidor atingiram o nível mais alto em dois anos. "Há alguns sinais de fraqueza, mas, no todo, é um número melhor. Ele confirma a tendência de melhora na economia dos Estados Unidos", disse Camilla Sutton, estrategista sênior de câmbio da Scotia Capital em Toronto, no Canadá.

Apesar de alguns sinais de otimismo, os consumidores em dezembro avaliaram a situação atual como a pior desde fevereiro de 1983, de acordo com o Conference Board. A economia norte-americana luta contra a pior recessão em décadas.

Em Wall Street, os índices Dow Jones e Standard & Poor''s 500 exibiam alta. Títulos do governo, que normalmente têm um desempenho melhor em tempos de fraqueza econômica, tinham leve alta ontem, véspera de outro leilão da dívida do governo dos EUA.

JOGO DA CONFIANÇA

O índice de confiança do consumidor superou a previsão dos analistas de uma leitura de 52,5 baseada em uma pesquisa da Reuters que variava de 46 a 57. Ao mesmo tempo, a leitura revisada do mês passado também foi mais alta que o inicialmente divulgado, de 49,5.

O índice de expectativas subiu para 75,6 - o mais alto desde dezembro de 2007 -, em comparação aos 70,3 de novembro.

A avaliação do mercado de trabalho pelos consumidores também mostrou sinais de melhora, com o índice de "empregos difíceis de conseguir" declinando para 48,6 ante 49,2.

Os consumidores avaliaram sua situação atual como a pior desde fevereiro de 1983, com esse componente do índice geral caindo para 18,8, ante 21,2.

Também o componente de "emprego abundante", que caiu de 3,1 para 2,9, é o mais baixo desde fevereiro de 1983.

No setor imobiliário, o índice composto dos preços de moradias de S&P em 20 áreas metropolitanas se manteve estável em outubro, um pouco abaixo das expectativas de um aumento de 0,2%. O índice de setembro foi revisado para um aumento de 0,4%, de uma leitura anteriormente divulgada de 0,3%.

Somente sete das 20 cidades no índice composto tiveram ganhos nos preços em outubro, segundo o S&P. Uma retomada sustentável nos preços das moradias nos EUA é tida como vital para a frágil recuperação da crise do mercado imobiliário. Há preocupações crescentes de que níveis recorde de execução de hipotecas iriam crescer ainda mais e fazer os preços declinarem novamente.

"O relatório sinaliza uma crescente estabilização nos preços de moradias. Obviamente é num ritmo muito lento e é porque o mercado ainda é controlado por uma quantidade significativa de estoques" disse Anna Piretti, economista sênior do BNP Paribas.

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