Conflito desce morro; mortos vão a 42

A caçada policial aos traficantes acusados de derrubar o helicóptero da Polícia Militar no dia 17 chegou ao asfalto e aterrorizou os moradores do bairro da Penha, na zona norte, onde um apartamento pegou fogo após ser atingido por uma bala perdida, e fechou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que funciona em um parque.

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2009 | 00h00

Ontem, seis corpos foram encontrados na favela do Fumacê, em Realengo (zona oeste), aumentando para 42 o número de mortos no Rio desde o início dos confrontos, há uma semana. Quatro estavam em uma lixeira e dois na rua. Até a noite, a polícia não tinha informações sobre o motivo do crime.

Na Vila Cruzeiro, 180 policiais do 16º Batalhão de PM foram recebidos a tiros. Três pessoas ficaram feridas por balas perdidas. Expedito José Rodrigues, de 57 anos, foi baleado na perna, e o veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) Brunio de Barros, de 86 anos, ferido de raspão no tórax. Os dois não correm risco de morte, mas o estado de Severino Marcolino dos Santos, de 51, é grave. Ele foi baleado no rosto.

À tarde, o tiroteio continuou. Moradora do apartamento 403 de um prédio na Rua São Camilo - cuja janela da sala tem vista para Vila Cruzeiro, localizada a 500 m - a aposentada Maria José da Costa, de 50 anos, se escondia na cozinha quando foi surpreendida com a explosão da TV na sala. "Ouvi e saí correndo. Logo depois, o fogo começou. Foi a segunda bala perdida que entrou aqui. A primeira atingiu o armário. Vou me mudar", disse. A sala ficou destruída.

ATENDIMENTO SUSPENSO

Após a operação, outro tiroteio apavorou os pacientes da UPA da Penha."Tivemos a informação de que traficantes do Morro da Chatuba, situado nos fundos do Parque Ary Barroso, levariam um comparsa ferido para UPA. Os PMs foram ao local e encontraram oito homens armados descendo o morro. Eles atiraram e revidamos", disse o tenente do 16º BPM, Márcio Martins.

Pacientes reclamaram que foram impedidos de sair. "Eu aguardava atendimento desde às 9 horas. Quando começaram os tiros, os médicos e funcionários correram. Os seguranças não nos deixaram sair, entramos em pânico", disse Jaqueline Xavier de Melo, de 27 anos. Irritado, o marido dela, Hilton Luiz da Silva, de 34, quebrou a porta da UPA e foi detido.

A PM prendeu 13 pessoas na Favela do Jacarezinho e em Manguinhos, dominadas pelo Comando Vermelho. A facção é acusada pela invasão ao Morro dos Macacos, no dia 16. Na ocasião, dez pessoas morreram, entre elas três tripulantes do helicóptero da PM abatido a tiros.

Mais informações na C3

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