Conflito na Síria mantém 2,8 milhões de crianças fora da escola

Conflito na Síria mantém 2,8 milhões de crianças fora da escola

Número de matrículas caiu pela metade em três anos e meio; quase todas as crianças sírias frequentavam a escola antes do início da crise no país

REUTERS

18 Setembro 2014 | 12h07

O conflito de três anos e meio na Síria está impedindo 2,8 milhões de crianças de obter educação e destruiu ou danificou mais de 3.400 escolas, disse nesta quinta-feria uma entidade humanitária internacional.

O número total de matrículas nas escolas da Síria caiu pela metade, quando correspondia a quase 100 por cento das crianças antes do início da crise, afirmou a entidade Save the Children, acrescentando que o país tem agora a segunda pior taxa de frequência escolar no mundo.

A organização afirma que a educação na Síria é agora "uma das metas mais letais" para crianças e professores, já que as escolas são frequentemente atingidas por bombardeios e ataques aéreos. Muitas escolas danificadas foram ocupadas para fins militares, acrescentou.

"Não é nenhuma surpresa que, nessas condições, mais crianças sírias estejam abandonando a escola a cada dia. A comunidade internacional tem de intensificar a sua resposta para garantir que não seja perdida uma geração inteira de crianças", disse o diretor regional da Save the Children, Roger Hearn, em um comunicado.

O conflito, que começou como um movimento de protesto pacífico e se transformou em guerra civil após a repressão do governo, já matou mais de 190.000 pessoas.

Cerca de 3 milhões de sírios deixaram o país como refugiados, sendo as crianças mais da metade deles, e mais de 3,5 milhões de pessoas tiveram de se deslocar para outras partes do país.

A Save the Children disse que metade das crianças pesquisadas no norte da Síria "raramente" ou "nunca" era capaz de se concentrar na aula. Em outro estudo realizado, os professores afirmaram que mais de metade das crianças se assusta facilmente e 40 por cento delas estão frequentemente infelizes.

Crianças sírias que fugiram para outros países também estão perdendo a educação. A estimativa é que uma em cada dez crianças refugiadas em toda a região esteja trabalhando, segundo a entidade.

O estresse que sua presença impôs nos recursos das escolas nos países de acolhimento tem levado a taxas "perturbadoras" de abuso, intimidação e maus-tratos físicos.

(Reportagem de Tim Pearce)

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