Conflitos no Iêmen deixam dois mortos e 18 feridos

Soldados iemenitas mataram dois combatentes tribais e feriram 18 manifestantes antigoverno nos mais recentes confrontos, em uma semana cheia de tensões e que elevou os temores de que a situação se torne uma guerra civil.

ERIKA SOLOMON, REUTERS

25 de setembro de 2011 | 12h23

Em um aumento da violência fora da capital, dois tribais pró-oposição foram mortos na região montanhosa de Naham, disse um xeique do clã, depois que o Exército bombardeou a região onde combatentes se concentravam e duelavam contra tropas leais ao governo.

Em Sanaa, soldados usaram munição contra manifestantes enquanto eles faziam uma passeata nas ruas da capital.

"Eu vi soldados em cima, em edifícios e na ponte", afirmou Mohammed al-Mas, de 21 anos, um manifestante cujas costas estavam ensopadas de sangue devido a um ferimento de bala. Ele disse que um poste de eletricidade foi derrubado e dividiu a passeata em duas.

No total, 18 pessoas ficaram feridas, e médicos disseram que duas delas estão em estado grave. Doutores negaram uma informação da televisão de que um manifestante morreu.

Cerca de 17 pessoas morreram no sábado, quando forças do governo atacaram o principal acampamento de manifestantes da oposição em Sanaa, disseram testemunhas e médicos, elevando o número de mortos para cerca de 100 após cinco dias de conflitos.

Especialistas temem que a possível anarquia no país árabe crie possibilidades para um braço da Al Qaeda na nação e coloque em perigo as rotas de saída do petróleo no Mar Vermelho.

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, retornou inesperadamente ao país na sexta-feira após três meses na Arábia Saudita, onde se recuperava de uma tentativa de assassinato, ocorrida em junho.

Protestos populares ocorridos em janeiro e inspirados nas revoltas em outros países árabes espalharam revolta contra o governo de Saleh. Manifestantes acusam o presidente, sua família e governo de corrupção e de não conseguirem acabar com a pobreza e a impunidade em uma terra onde uma em cada duas pessoas possui uma arma.

Os manifestantes são apoiados por poderosas forças, incluindo os líderes do clã al-Ahmar, que chefia a maior confederação tribal do país. Eles também são apoiados pela força militar do general dissidente Ali Mohsen, que desertou em março para estabelecer um confronto militar com o governo.

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