Confronto entre índios e a PF deixa 4 feridos em MT

Dois policiais federais e dois índios ficaram feridos em um confronto na manhã desta quarta-feira na região do Rio Teles Pires na região de Alta Floresta (MT) na divisa com o Pará. Os policiais cumpriam determinação do juiz da 5ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Florenza.

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

07 de novembro de 2012 | 20h25

A ação dos policiais faz parte da operação Eldorado deflagrada nesta terça-feira para coibir a extração ilegal de ouro em terras indígenas dos Kayabi e Munduruk, no norte de Mato Grosso (Matupá e Alta Floresta), Pará e Rondônia. A justiça expediu 28 mandatos de prisão temporária, 64 de busca e apreensão e oito de condução coercitiva em sete Estados (Mato Grosso, Pará, Rondônia, Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo).

De acordo com a assessoria de imprensa das Polícia Federal em Cuiabá, os índios teriam sido incentivados, por caciques supostamente envolvidos na extração ilegal de ouro, a reagir e enfrentar a equipe de federais que destruíam balsas e dragas usadas por garimpeiros.

Ainda de acordo com a PF, os feridos estão hospitalizados no Hospital Regional de Alta Floresta em estado grave. O local do confronto fica a mais de 200 km do centro de Alta Floresta.

Operação

A organização desmontada pela PF era composta basicamente por quatro grupos: indígenas, proprietários de balsas/garimpeiros (responsáveis pela extração ilegal de ouro no Rio Teles Pires); proprietários/responsáveis pelos postos de compra de ouro; funcionários, que atuavam como intermediários na venda de ouro e utilizavam de permissão de lavra garimpeira (PLGs) de cooperativas; e empresas distribuidoras de títulos de valores imobiliários. Há cinco anos o grupo atuava na exploração em Mato Grosso, Pará e Rondônia.

O delegado Wilson Rodrigues de Souza Filho, responsável pela investigação, disse que o ouro, extraído das áreas indígenas e dos garimpos ilegais, era adquirido por empresas de títulos e, após dissimular a origem, era vendido como ativo financeiro para investidores em São Paulo. A área da extração não era autorizada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério das Minas e Energia.

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