Confronto perto do porto de Áden deixa dezenas de mortos no Iêmen

Combatentes houthis e membros de um exército aliado entraram em confronto com milícias locais na cidade de Áden, no sul do Iêmen, neste domingo, e testemunhas afirmam que tiroteios e bombardeios pesados aconteceram em um bairro central perto do porto da cidade.

MOHAMMAD MUKAHASF, REUTERS

05 Abril 2015 | 17h05

Forças houthis têm lutado para tomar Áden, último ponto de apoio a combatentes leais ao presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, que é apoiado pelos sauditas, avançando para o centro da cidade apesar de 11 dias de ataques aéreos de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

A Arábia Saudita, país muçulmano sunita, lançou os ataque aéreos em 26 de março em uma tentativa de fazer recuar os xitas houthis, aliados do Irã e que já controlam a capital do Iêmen, Sanaa, e restaurar alguma autoridade do cambaleante Hadi.

A campanha aérea e marítima tem como alvo os comboios de houthis, mísseis e armazéns e também cortar eventuais reforços de fora – embora os houthis neguem as acusações sauditas de que eles são armados por Teerã.

O combate falhou até o momento na tentativa de infligir qualquer derrota decisiva as houthis, ou aos apoiadores do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que lutam ao lado deles, mas o crescente número de mortes e sofrimento humano têm alarmado grupos de ajuda.

A Organização das Nações Unidas disse na quinta-feira que mais de 500 pessoas foram mortas em duas semana de combates no Iêmen, enquanto o Comitê Internacional da Cruz Vermelha fez um apelo para uma trégua imediata de 24 horas para permitir que a ajuda chegue ao Iêmen.

O CICV, que culpou a coalização liderada pelos sauditas pelo atraso na remessa de ajuda, disse que recebeu aprovação para levar suprimentos médicos e equipe e espera enviar dois aviões na segunda-feira.

Um porta-voz da coalizão militar disse que o CICV teve aprovação para enviar auxílio, neste domingo, mas desistiu por causa de problemas com a empresa da qual fretou um avião.

O general Ahmed Asseri também disse que um voo sudanês foi impedido de aterrissar em Sanaa, neste domingo, pelas autoridades houthis que comandam a capital.

Uma fonte da milícia pró-Hadi disse que 36 houthis e aliados foram mortos neste domingo no distrito de Mualla, no centro de Áden, perto do porto, enquanto 11 dos combatentes de Hadi foram mortos.

Forças houthis inicialmente avançaram para a área do porto, mas horas depois haviam sido empurradas por várias ruas em direção a uma base do Exército.

“Há muitos corpos nas ruas e não podemos nos aproximar porque há atiradores houthis nos topos dos prédios. Eles atiram em qualquer coisa que se aproxime, e o bombardeio em Mualla tem sido indiscriminado”, disse um médico à Reuters.

(Por Doninic Evans; Reportagem adicional de Noah Browning, em Dubai; Yara Bayoumy e Mohammad Ghobari, no Cairo; Stephanie Nebahay, em Genebra; Gus Trompiz, em Paris; e Tulay Karadeniz, em Ancara)

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