Confrontos com al Qaeda e explosões matam 35 soldados no Iêmen

Pelo menos 35 soldados iemenitas morreram no sábado em dois atentados suicidas simultâneos e nos confrontos que se seguiram a eles com combatentes da al Qaeda no domingo, segundo fontes médicas, numa continuação à onda de ataques que começou assim que o novo presidente assumiu o cargo prometendo lutar contra o grupo.

MOHAMMED MUKHASAF, REUTERS

04 Março 2012 | 17h49

A campanha contra a al Qaeda é uma das principais exigências feitas ao novo líder do Iêmen por Washington, que apoiou a sua sucessão e vem travando sua própria campanha de assassinatos por ataques aéreos de aviões não tripulados contra supostos membros do grupo terrorista.

Uma autoridade do Exército iemenita disse que pelo menos 20 militantes islâmicos também morreram durante os confrontos no sul do país, um território instável perto das rotas de transporte de petróleo pelo Mar Vermelho.

Moradores e autoridades locais disseram que os carros explodiram perto de postos militares nas entradas sul e oeste da cidade de Zinjibar, perto do Golfo de Aden.

O Eército do Iêmen enviou reforços para Zinjibar após as explosões.

Médicos de um hospital militar em Aden disseram que os corpos de 35 soldados foram levados para lá e que havia dezenas de outros feridos. Eles disseram também que o número de vítimas fatais provavelmente aumentará.

Os ataques enfatizam os desafios que o presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi está enfrentando, enquanto tenta estabilizar o Iêmen, depois de um ano de protestos contra o seu antecessor, Ali Abdullah Saleh e desavenças entre os militares, que deixaram o Iêmen à beira da guerra civil.

Os meses de protestos contra Saleh enfraqueceram o controle do governo central sobre vastas áreas do Iêmen e beneficiaram os militantes ligados à al Qaeda, principalmente um grupo chamado Ansar al-Sharia, que expandiu sua presença no sul.

Uma mensagem de texto supostamente enviada pelo grupo dizia que eles tinham usado carros-bomba para começar os ataques de domingo. Ansar al-Sharia disse que matou mais de 50 soldados, capturou dezenas de outros e que apreendeu armas e equipamentos, incluindo um tanque e um canhão antiaéreo.

Zinjibar tem sido palco de constantes confrontos entre o Exército e os combatentes islâmicos, que tomaram a cidade durante vários meses no ano passado. O governo disse em setembro que havia "libertado" Zinjibar das mãos dos militantes, mas os confrontos continuaram.

"Os heróis das Forças Armadas deram um duro golpe nos elementos da al Qaeda em Abyan," disse o ministro da Defesa numa mensagem de texto, referindo-se à província onde Zinjibar está localizada.

Moradores de Jaar, cerca de 15 quilômetros ao norte de Zinjibar e é controlada por combatentes islâmicos, disseram que eles usaram megafones para pressionar as pessoas a se juntarem aos combates.

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