Congresso diz que espera líderes para conversar

O primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), afirmou nesta quinta-feora que a cúpula do Poder Legislativo não vai receber mais ninguém até que seja identificado quem são os líderes da manifestação que acontece em frente ao Congresso Nacional. Mas Vargas disse que a "Casa continua aberta, dialogando, conversando e aguardando qualquer desdobramento que possa indicar uma conversação".

RICARDO BRITO E DÉBORA ALVARES, Agência Estado

20 de junho de 2013 | 20h44

Três pessoas que seriam representantes do protesto entraram no gabinete do presidente do Senado e por lá permaneceram mais de uma hora. O vice-presidente da Câmara disse que não os recebeu por não considerá-los representantes do movimento.

"Vamos ficar até a hora de um desdobramento tranquilo e sereno, como fizemos na segunda-feira. Essa é a obrigação de quem dirige a Casa", disse o petista.

Após deixar o gabinete da presidência do Senado, um deles, o advogado Kayo José Miranda, disse ter protocolado um documento com uma pauta de reivindicações com base no que tem sido dito nas redes sociais. Dois pontos elencados são a contrariedade com a eventual aprovação da PEC 37, a proposta de emenda à Constituição que limita os poderes de investigação criminal do Ministério Público, e um questionamento em relação aos gastos com a Copa do Mundo.

Miranda disse não fazer parte de nenhum movimento social envolvido nos protestos, como o Movimento do Passe Livre. Ainda assim, o advogado acredita ser representante do protesto. "Fazemos a voz dos protestos. Estamos preocupados que o movimento perca a sua legitimidade por não haver representação", disse.

O vice-presidente da Câmara reconheceu que, apesar de se declarar experiente na militância social, não sabe como funcionam as atuais organizações. "Essas, nós não sabemos ainda. Portanto, estamos aprendendo e vamos saber interpretar no limite do bom senso", afirmou.

O petista negou que apenas a classe política seja alvo dos protestos que, segundo ele, tem por objetivo "expressar para a nação a sua indignação". "Não é só contra a classe política, não. Já vi veículos de comunicação serem acossados, já vi pessoas de outros segmentos serem acossados. Não se trata apenas da questão política. Me parece que é uma insatisfação generalizada, uma pauta absolutamente legítima", afirmou.

O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que antecipou sua volta ao Brasil devido as manifestações nas ruas em todo o País, já está no País. Alves estava em São Petersburgo, na Rússia, em missão oficial. A previsão é de que ele chegue a Brasília nas próximas horas.

Segurança

Vargas disse que não pode opinar sobre o suposto excesso no aparato policial ao redor do Congresso Nacional, uma vez que o comando é atribuição do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e da Secretaria de Segurança Pública da capital.

O petista salientou que toda a orientação é para garantir a "tranquilidade" e a "serenidade" a fim de preservar a vida das pessoas. "Não podemos permitir, por exemplo, que elas (os manifestantes) entrem na abóbada da casa, colocando em risco a vida das pessoas. Há muitos jovens, até adolescentes, na manifestação. Então todo o aparato policial e no sentido de preservar a integridade das pessoas, quem trabalha na casa e quem está manifestando e proteção ao patrimônio público", afirmou.

Contudo, em frente ao Congresso, manifestantes e policias já entraram em confronto. A Polícia Militar do DF chegou a empregar gás de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

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