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Conheça o console Ouya, um videogame hackeável

"Se você deixar, as pessoas inventam coisas incríveis", se empolga Julie Uhrman, CEO e fundadora da empresa por trás de um console de game que não apenas é diferente dos outros, mas tem potencial revolucionário.

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2012 | 03h10

O Ouya é o primeiro controlador de jogos "hackeável". Ele está aberto para que pessoas criem em cima do seu sistema. Isso vale tanto para o software, a partir do qual desenvolvedores independentes podem criar jogos, como para o hardware, facilmente desmontável e com "parafusos normais", diz a empresa. E, ao contrário do que ocorre com outros aparelhos, violar seu sistema não invalida a garantia.

"Nas mãos de pessoas apaixonadas, as possibilidades são ilimitadas. Esperamos grandes periféricos, jogos incríveis e inovações loucas que nunca poderíamos ter imaginado", disse a executiva ao Link por e-mail.

Julie Uhrman tem longa experiência na área de games. Começou há dez anos na indústria e já passou por cargos executivos em empresas como GameFly, IGN e Vivendi Universal. Ela é descrita como alguém que ama games, mas que "nos últimos anos, tem jogado mais em celulares, porque é aí que está a ação".

O sistema operacional do Ouya é o Android 4.0, de tablets e smartphones, mas projetado para ser jogado em qualquer televisor com uma entrada HDMI. "A TV é a melhor tela para se jogar games", diz Julie.

O jogo está em fase de preparação e ainda não veio a público nenhum produto acabado. As fotos divulgadas mostram um formato de cubo. "É do tamanho de um cubo mágico", diz o designer responsável, Yves Béhar, criador do laptop do projeto One Laptop Per Child. O controlador deve conter um "touchpad", facilitando a migração de jogos de celular e tablet para o aparelho. O processador é de quatro núcleos e ele terá Bluetooth e Wi-Fi.

Levantar fundos para o Ouya foi um processo espetacular. Ele foi o projeto que mais rápido alcançou a marca de um milhão de dólares na plataforma de financiamento coletivo Kickstarter - em apenas oito horas e 22 minutos. Em 24 horas, eram quase US$ 2,6 milhões. Na sexta-feira, faltando 12 dias para o encerramento da campanha, tinha arrecadado US$ 5,6 milhões.

Segundo Julie, muitos doadores são desenvolvedores de games. Para ela, a comunidade está empolgada com a ideia de que não há apenas um caminho para o sucesso no mercado dos consoles. "Será mais fácil para pequenos e independentes trazerem jogos para a televisão", diz. O Ouya terá uma loja própria para seus jogos. A divisão de lucros é de 30% para a Ouya e 70% para o desenvolvedor.

Com tanta abertura, como fica o controle de qualidade e, mais importante, de vírus?

"A segurança será a mesma de qualquer aparelho Android", diz Julie. "Quanto à qualidade, vamos trabalhar com uma grande variedade de criadores e ter certeza de que seus jogos encontrem um público. Estamos estudando a melhor maneira de administrar a curadoria da loja."

Nomes estabelecidos da indústria estão abraçando o Ouya. A Notch, empresa criadora do game Minecraft, teria feito uma generosa contribuição. Na sexta-feira, uma parceria foi anunciada com a OnLive, importante plataforma de games via nuvem.

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