Conheça o Google Now, o novo assistente pessoal do Android

Quando o celular avisou que uma nova atualização do sistema Android estava disponível, poderia ser apenas uma mudança na interface ou uma melhoria pontual. Feito o processo, no fim da tarde o aparelho mostrou uma notificação: "15 minutos até em casa. Trânsito leve". E exibiu o mapa do trajeto diário do trabalho até em casa. Estranhei. Não tinha ativado nenhuma função do tipo, mas me contentei com a dica e fui para casa. O trajeto durou o tempo estimado.

Tatiana de Mello Dias, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2012 | 03h07

O Google liberou a atualização para o Jelly Bean, o Android 4.1, no dia 10 de julho. Uma das principais novidades anunciadas é o Google Now, um mecanismo de busca por voz chamado por uns de "concorrente da Siri" (a assistente de voz do iPhone 4S) e de "assistente de buscas" por outros. Mas o Google Now se parece muito mais com um assistente pessoal e organizador da própria vida.

No dia seguinte, logo cedo, outra notificação avisava que fazia 20º C e o dia seria claro e sem nuvens. Quando chegou perto da hora de ir ao trabalho, ele avisou, de novo, que o tempo estimado para o trajeto era de 11 minutos - apontando exatamente o trajeto diário até o local.

O Google sabe muito sobre nós. O Google Now é, a grosso modo, uma busca avançada que se torna mais útil no celular - e o celular mais útil. Primeiro, ele detecta onde você está, a hora do dia e mostra a informação que julga ser relevante naquele momento. Se você estiver viajando, ele mostra o tradutor, fuso horário e a taxa de conversão do câmbio local; se estiver em aeroportos, indica os próximos voos. Se você se gostar de futebol (e tiver indicado isso ao Google), ele mostra os últimos resultados dos jogos. Informação entregue a você sem solicitação, mas que é tão útil que nem dá vontade de reclamar.

Privacidade. O lançamento do Google Now, em junho, também explica a extensa mudança nas regras de privacidade da empresa. O Google anunciou em janeiro que unificaria as políticas de seus produtos - e permitiu que dados coletados por um serviço pudessem ser usados por outro. A nova política provocou críticas e até investigações de governos. No Brasil, o Google foi chamado pela Câmara dos Deputados e pelo Ministério da Justiça para se explicar.

"O Google Now está sempre um passo à frente", diz a empresa no vídeo que explica a nova funcionalidade. Segundo assessoria da empresa, o serviço é "opt-in", ou seja, o usuário escolhe se quer aquilo ou não - embora ele tenha aparecido automaticamente assim que o Jelly Bean foi instalado no meu celular.

O Google Now se baseia na montanha de informações que os usuários fornecem todos os dias. Ao ativar o histórico de localização no Google Latitude, o usuário cria um relatório preciso de onde esteve nos últimos dias, semanas ou anos. Calculados por algoritmos, os dados são facilmente decifráveis - ele deduziu onde era a minha casa e onde era o meu trabalho só pelo tempo que passo em cada um dos lugares. E quando o Google Now me perguntou se ali era realmente a minha casa, não havia muita saída senão confirmar o óbvio.

Poderia não ter feito isso. Os usuários são livres para manejar seus dados e apagar todo o histórico ou parte dele. O Google oferece um painel de controle bastante completo dos dados. É possível ver o histórico em gráficos divertidos (dá para descobrir quanto tempo você passa em casa, no trabalho e em "outros lugares", e ver os caminhos que percorreu em um mapa). Se há algo indesejado, basta apagar - o Google não hesita em frisar isso. Se você não quer nada registrado, é só apagar tudo e cancelar o registro definitivamente. Mas, se fizer isso, não terá as novas funcionalidades, que são totalmente dependentes dos seus registros pessoais.

A questão é: vale a pena abrir mão da ferramenta? O Google tornou o registro ostensivo de dados algo aparentemente inofensivo, simples, bonito e teoricamente útil. E não é só ele. O Facebook já deu pistas de que está testando um mecanismo para mostrar seus amigos que estão por perto. Quem vai reclamar de uma informação quente na mão sem precisar sequer buscá-la? O Google Now é mais do que o concorrente da Siri. É a pista de uma nova tendência que está começando a tomar forma agora.

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