Conheça os dois candidatos à Presidência do Uruguai

Conheça os dois candidatos à Presidência do Uruguai, que concorrem no segundo turno das eleições no domingo.

PATRICIA AVILA E CONRADO HORNOS, REUTERS

28 de novembro de 2009 | 17h50

JOSÉ MUJICA

José Mujica participou da guerrilha urbana de esquerda na década de 1960. Os guerrilheiros tentaram mudar o rumo do Uruguai com armas. Ele foi encarcerado em várias ocasiões e foi torturado pela ditadura militar.

Ele depois passou décadas explicando esse passado, mas também se transformou em um dos políticos mais populares do país. Se ele ganhar o segundo turno das eleições no domingo, manterá a esquerda no poder.

Ligado aos trabalho rural desde muito cedo na vida, o ex-ministro da pecuária e senador de 74 anos tentou afastar as dúvidas sobre os rumos da política econômica sob um eventual governo seu dizendo que seguirá a mesma linha já instalada pelo atual presidente Tabaré Vázquez.

Criticado por seu modo de vestir pouco elegante e desalinhado e seus hábitos simples, Mujica suavizou o discurso nos últimos anos, mesmo que ele ainda cause algum desconforto na aliança governista. Antes do primeiro turno das eleições presidenciais em outubro ele disse que já não acreditava em dicotomias.

Mujica foi preso pela última vez em 1972, foi torturado por militares durante anos e libertado numa anistia em 1985 depois de 12 anos de ditadura militar. As pesquisas o indicam como o provável vencedor das eleições. Contudo, Mujica evitava ares de vencedor a apenas um dia do pleito.

Para acalmar temores e conquistar eleitores mais moderados, Mujica leva em sua chapa Danilo Astori, o ex-ministro das finanças que é muito elogiado por sua condução da economia do país, que permitiu ao Uruguai evitar a recessão na atual crise mundial.

A guerrilha urbana a que se uniu Mujica, o Movimento de Liberação Nacional Tupamaros, protagonizou choques com a polícia e o Exército, sequestros e assassinatos até o começo da década de 1970.

Mujica conta que certa vez num enfrentamento recebeu seis ferimentos a bala. Porém, em uma entrevista ele disse que nunca matou ninguém.

Forças de segurança acabaram com a guerrilha antes do golpe de estado de 1973, quando começou uma dura repressão contra simpatizantes da esquerda que deixou 200 desaparecidos.

Segundo analistas, esse estilo direto e meio camponês de falar do mesmo modo com as autoridades e com o povo o levou a ser o senador mais votado nas eleições de 2004, uma década depois de haver entrado no Congresso como deputado.

Mujica e sua mulher, a senadora e ex-companheira de guerrilha Lucía Topolansky, vivem numa chácara e doam parte de seus salários a um fundo de apoio a pequenos empreendimentos familiares.

O político disse que do salário de presidente utilizará apenas uns 15% para cobrir necessidades de um familiar doente e doará o resto.

"Com o que ganha minha companheira que é senadora já conseguimos viver e não preciso de mais. Na etapa da vida em que estou, mais perto do cemitério do que do outro lado, ter pouca bagagem é o melhor que há na vida. Estou super bem de saúde, mas tenho 74 anos", disse Mujica.

LUIZ ALBERTO LACALLE

O ex-presidente uruguaio Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional, de centro-direita, não dá a batalha por perdida e ainda que muitos tenham considerado terminada a sua carreira política depois de uma gestão marcada por acusações de corrupcão, ele aspira a voltar ao poder.

Durante seu governo (1990-1995), Lacalle conseguiu se distanciar de denúncias envolvendo pessoas próximas a ele. Ele agora disputará a presidência do país num segundo turno no domuingo contra o ex-guerrilheiro José Mujica, do partido governista de esquerda Frente Ampla.

Mesmo numa posição de desvantagem contra seu concorrente, que está à frente nas pesquisas, o ex-presidente mantém esperanças de voltar ao comando do país.

"Saí da tumba várias vezes. Várias vezes me deram o certificado de óbito e várias vezes tiveram de rasgá-lo", disse Lacalle em uma entrevista recente.

Num comício na terça-feira frente a centenas de seus seguidores, ele se mostrou seguro de que poderá vencer contra Mujica no domingo, já que "52 porcento do país querem equilíbrio, paz e diálogo."

Segundo as pesquisas de boca-de-urna, Mujica está à frente com entre 49.1 porcento e 50 porcento das intenções de voto, enquanto o Partido Nacional (PN) concentra entre 41 porcento e 42.1 porcento das intenções.

Lacalle, de 68 anos, disputará a presidência depois de ser o segundo mais votado atrás de Mujica nas eleições gerais no dia 25 de outubro.

No primeiro turno, o ex-presidente angariou 29,07 por cento dos votos. Se não chegar à presidência, Lacalle voltará a ser senador, cargo que ocupa desde ser eleito para o posto em 1989.

O oficialismo, por sua parte, conseguiu 47,96 por cento dos votos em outubro, o suficiente para manter a maioria no congresso, ainda que não tenha superado os 50 por cento necessários para ganhar diretamente.

Lacalle, que conta com o apoio do também opositor e conservador Partido Colorado, diz ser a opção que permtiria equilibrar as forças entre a esquerda, que comanda o congresso, e a centro-direita, que teria o executivo.

Entre as propostas do ex-presidente, que aplicou políticas liberais, comuns na região na década de 90, estão a redução dos impostos, um controle de gastos mais eficiente e uma melhora da segurança pública, o tema que os partidos de oposição mais têm abordado.

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