Conselho de Ética define depoimentos de Cachoeira e Demóstenes

O Conselho de Ética, que apura se houve quebra de decoro do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), marcou as datas para os depoimentos do parlamentar, de Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais, e de delegados e procuradores que investigaram a suposta contravenção.

REUTERS

10 Maio 2012 | 12h19

Demóstenes pode ser cassado e perder seus direitos políticos ao fim de todo o processo se seus colegas considerarem que houve quebra de decoro parlamentar. Denúncias indicam, com base em interceptações telefônicas, possível envolvimento entre o senador e Cachoeira.

Em uma espécie de troca de favores, Demóstenes teria atuado em favor de Cachoeira, revelando detalhes de reuniões reservadas das quais participou com autoridades do Executivo, do Judiciário e do Legislativo. De outro lado, Demóstenes teria pedido a Cachoeira que pagasse despesa com táxi-aéreo de 3 mil reais, além de ter recebido um aparelho de telefone habilitado no exterior, para manter contato com o suposto contraventor.

Demóstenes deve ser o último a depor no conselho, no dia 28, a pedido do relator do processo, senador Humberto Costa (PT-PE). O depoimento de Cachoeira, solicitado pela defesa de Demóstenes, está marcado para o dia 23.

Além do senador e de Cachoeira, o conselho deve ouvir ainda os delegados e os procuradores responsáveis pela investigações da Polícia Federal das quais partiram as denúncias. As audiências serão secretas, segundo o relator.

O presidente do conselho, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), e o relator do caso ressaltaram que os depoimentos estarão focados no processo de quebra de decoro de Demóstenes.

"Não vai ser um depoimento genérico, será bem específico", afirmou Valadares.

"Vamos nos limitar a questionamentos sobre o senador (Demóstenes)", disse o relator.

Além dos depoimentos, os integrantes do conselho aprovaram nesta quinta-feira uma série de requerimentos pedindo mais informações que possam indicar quebra de decoro.

De autoria do relator, os requerimentos pedem degravações dos diálogos entre Cachoeira e Demóstenes, a lista de servidores que trabalham no gabinete do senador e a relação de vôos de táxi aéreo em que Demóstenes foi citado como passageiro, além de solicitar cópias das declarações do senador à Justiça eleitoral e à Receita Federal e dados do Senado que atestem a entrada de Carlinhos Cachoeira na Casa.

Costa tem expectativa de encerrar o processo de quebra de decoro em plenário antes do recesso parlamentar, que te início na segunda quinzena de julho.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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