Conselho de Psicologia admite rever resolução sobre prática

Regra atual prevê, no máximo, dez sessões online; normas precisam acompanhar avanços da sociedade, diz órgão

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h05

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconhece que a resolução 12 de 2005, que regulamenta as sessões de terapia pela internet, precisa ser atualizada. A conselheira Rosely Goffman diz que o acesso à internet hoje é muito maior que em 2005 e as normas do CFP precisam acompanhar esses avanços.

Hoje, a prática da psicoterapia pela internet é limitada: só pode ser feita em casos de pesquisa clínica. A permissão que existe é para orientação online e, ainda assim, restrita a dez sessões.

"Mas há uma demanda para que isso mude e estamos justamente discutindo alguns tipos de flexibilizações", diz Rosely.

O problema, segundo ela, é que a regulamentação precisa ser clara para evitar problemas. "Se não houver regras e qualquer um fizer psicoterapia pela internet fica uma coisa sem critério e vira uma bagunça geral."

Rosely diz que um dos principais entraves à liberação da terapia online é o risco de despersonalização. "Qualquer anônimo pode aparecer na internet dizendo que é outra pessoa. Quem vai garantir esse atendimento?"

Selo. Hoje, o psicólogo que quiser oferecer o serviço precisa cadastrar o site no CFP. O selo vale por dois anos. "Ele garante minimamente a confidencialidade."

Segundo Rosely, em novembro de 2011, um grupo de 4 mil psicólogos se reuniu para debater a assistência online - o País possui cerca de 230 mil profissionais em atuação. "Muita gente quer a mudança, mas ainda há resistência dos mais tradicionais. Não há um consenso."

Rosely, que defende a regulamentação, diz que o debate em torno do assunto será um dos temas do próximo congresso, em 2013. "O conselho não deixou o tema de lado. As coisas mudam de forma mais veloz do que a legislação e as resoluções estão aí para serem alteradas."

De acordo com ela, dos 170 sites aprovados, 97 estão com o selo válido. O conselho recebe cerca de 30 solicitações de credenciamentos novos por mês. "Penso que ainda é pouco, mas a tendência é aumentar." / F.B

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