Construtor que trocou telhas da Renascer viu vazamentos

Relato do dono da empresa que reformou templo reforça tese de que teto ruiu por falta de manutenção

Felipe Grandin, Marcela Spinosa e Vitor Sorano, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2009 | 09h43

O dono da empresa que trocou as telhas da sede da Igreja Renascer, no Cambuci, disse à polícia que há sete meses encontrou vazamentos e infiltrações no teto que caiu no dia 18. Daniel dos Anjos, da Etersul Coberturas e Reformas Ltda., afirmou ter vistoriado o local em junho de 2008 e encontrado manchas de umidade no gesso do teto. As infiltrações estariam em cima do altar, local onde o desabamento que matou nove pessoas e feriu ao menos 121 teria começado.   Veja também: Menina ferida em desabamento recebe alta  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer      A declaração reforça a tese de que estrutura desmoronou por falta de manutenção. E coincide com os depoimentos de quem estava no local, afirma o delegado seccional Dejar Gomes Neto, que investiga o acidente. Mais de 40 pessoas foram ouvidas. "Várias testemunhas disseram que havia goteiras e que caiu um pedaço de gesso do teto", afirmou. Neto disse que ainda é cedo para apontar as causas do acidente, mas os responsáveis pela igreja podem ser acusados de homicídio, caso se comprove que sabiam das infiltrações.   A Etersul trocou 1.600 telhas da igreja entre julho e novembro. Além de não possuir licença, a empresa não tinha engenheiro responsável pela obra nem pediu autorização à Prefeitura. No entanto, diz o delegado, a obra não está ligada aos vazamentos, pois a reforma foi feita no telhado e não onde havia as infiltrações.   As 14 tesouras (estruturas que sustentam o telhado) que desabaram começam a ser retiradas nesta quarta-feira, 28, do interior da igreja, segundo peritos do Instituto de Criminalística (IC). De acordo com um dos peritos, é preciso descobrir qual tesoura rompeu primeiro para que seja refeita a sequência da queda do teto. A demolição do que restou do prédio foi suspensa na terça, às 16 horas, por causa da chuva. Já foram demolidos sete dos 12 metros da parede.   Em nota, a Renascer afirmou que a empresa Etersul foi chamada "justamente pela constatação do vazamento e imediatamente contratada para trocar as telhas, calhas e rufos". A Igreja disse ainda "obviamente ter havido a troca total, de forma a sanar totalmente o problema".   No documento, a Renascer afirma também que não aceitará "que imputações criminais dessa ordem sejam utilizadas, baseadas em meras suposições, especulações e controvérsias". Por fim, a Igreja informa que "sempre foram realizadas todas as manutenções de praxe, conforme orientações dos especialistas, e garantindo a segurança do prédio".   Copan   Por falta de autorização da Prefeitura, a Renascer foi impedida de realizar obras de adaptação em seu templo no Edifício Copan, no centro da capital. O local, que pertence à Igreja há dez anos, havia sido interditado em março de 2008, quando estava em funcionamento. Segundo a Prefeitura, na ocasião fiscais encontraram "risco iminente", armazenamento inadequado de material combustível e problemas no forro, entre outras falhas de segurança.   A Igreja, então, pediu autorização para obras e o último prazo expirou em 3 de agosto sem que a Renascer fizesse novo pedido. Ontem, uma portaria foi publicada no Diário Oficial "retornando" o local à condição de interditado. A Renascer diz que o lugar está sem uso, com os papéis em ordem e que providências já vinham sendo tomadas desde março.

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