Consulado espera família de brasileiro morto na Espanha

Depois de furtar sanduíche, Luciano Widomski foi perseguido e espancado por grupo de orientais

Anelise Infante, BBC

25 de junho de 2008 | 09h18

Um sanduíche de presunto custou a vida do brasileiro Luciano Widomski, 28 anos, na madrugada da passada terça-feira em Madri. Segundo testemunhas que prestaram depoimento à polícia, a vítima teria saído correndo depois de pegar o sanduíche numa barraquinha, sem pagar. Levou uma surra e morreu esfaqueado. O consulado brasileiro na capital espanhola espera contatos da família para autorizar a remoção do cadáver para que ele seja enterrado no Brasil. Widomski foi perseguido por cinco orientais (vietnamitas e coreanos) que estavam armados com tacos de beisebol e facões. Recebeu pauladas na cabeça e uma facada de três centímetros de diâmetro no lado esquerdo das costas. Segundo as testemunhas, o brasileiro reclamou do preço do sanduíche e tentou barganhar. Quando o camelô que estava numa barraca de papelão disse que não diminuía o preço, Widomski pegou o pequeno pacote de papel alumínio e saiu correndo pela Rua Fuencarral, no centro de Madri, dando início à perseguição contra ele. Ainda vivo O grupo de ronda noturna da polícia, conhecido como Focus, chegou ao lugar do homicídio minutos depois da agressão e conseguiu prender os cinco acusados. Os policiais receberam o aviso às 3h44m (horário espanhol). Quando a ambulância do Samur-Proteção Civil (Serviço de Urgência e Resgate de Madri) chegou, Widomski ainda estava vivo. "Ele foi encontrado junto ao meio fio com lesões no maxilar, nariz e cabeça, que haviam sido produzidas por um objeto contundente, provavelmente tacos de beisebol ou alguma barra de ferro", disse um porta-voz do Samur. Durante mais de meia hora recebeu atendimento de reanimação, mas morreu por causa de uma forte hemorragia interna provocada pela facada nas costas, feita a uma distância muito curta e que acabou sendo bastante profunda. Junto a Widomski estavam dois amigos dele. Um português que também foi agredido e um tcheco. O português foi encontrado consciente com feridas no rosto e está hospitalizado sem correr risco de vida. "O tcheco que foi atendido pelo psicólogo do serviço de proteção civil com uma crise de ansiedade, não parava de gritar: meu amigo, meu amigo, apontando para o brasileiro", comentou o porta-voz do Samur. Até a manhã desta quarta-feira o corpo de Widomski continuava no Instituto Anatômico Forense de Madri sem ter sido reconhecido ou reclamado por familiares. Os cinco suspeitos detidos (quatro vietnamitas e um sul-coreano) com idades ente os 20 e os 36 anos estão sendo investigados para saber se há envolvimento em mais crimes, já que a polícia desconfia que os passaportes apresentados possam ser falsos. Três deles, Nguyen H.A., (20), Hon N.H., (36) ambos do Vietnã e Nguyen V.T., (21) da Coréia do Sul foram indiciados por homicídio doloso.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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