Consumidor adotará cautela com gastos em 2012--pesquisa

O consumidor brasileiro deve adotar uma postura mais cautelosa este ano, em relação a 2011, apesar do cenário de aumento de renda e desemprego em baixa recorde, mostrou pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Cetelem BGN, braço financeiro do grupo francês BNP Paribas.

REUTERS

22 Março 2012 | 13h35

"A população não parou de gastar, mas está gastando com mais cuidado", disse a jornalistas o vice-presidente da Cetelem, Miltonleise Carreiro Filho. "Este ano não devemos ter o mesmo nível de gasto de 2011, mas não será uma redução drástica".

A conclusão quanto a uma perspectiva mais cautelosa para o consumo se baseia em um levantamento que apontou aumento de 20 por cento da renda mensal disponível da população brasileira em 2011, passando de 368 reais no ano anterior para 449 reais.

O destaque ficou por conta da classe C, que apurou alta de quase 50 por cento na renda disponível no mês, a 363 reais. O cálculo é feito pela subtração de todos os gastos do rendimento total das famílias.

A classe AB viu a renda disponível subir perto de 1 por cento, a 1.001 reais, enquanto a da DE foi 21 por cento maior, a 126 reais, no último ano.

Já a renda média familiar da classe C no ano passado aumentou cerca de 8 por cento, para 1.450 reais, enquanto a das classes AB e DE ficou estável, em 2.907 e 792 reais, respectivamente.

Mas, apesar do aumento da renda disponível, o brasileiro teve de gastar mais com itens considerados fundamentais e de maior peso no orçamento familiar, como os gastos com moradia.

Em 2011, os gastos com prestação de domicílio foram 22,9 por cento maiores, seguidos por aqueles com aluguel residencial, com alta de 14 por cento. Em contrapartida, o gasto com condomínio caiu 24,7 por cento.

Despesas com serviços domésticos também pesaram no bolso do consumidor, sendo a principal delas com empregadas domésticas, que aumentaram quase 30 por cento, reflexo do pleno emprego, segundo Carreiro.

"A demanda por mão de obra desse tipo cresce com o pleno emprego. Por outro lado, diminuiu a oferta de empregadas domésticas", afirmou.

Gastos com supermercados também avançaram, em 5 por cento.

Outro fator que deve contribuir para a menor intenção de consumo da população envolve a queda do otimismo quanto à situação do país.

Dentre os entrevistados, apenas 4 por cento deram nota dez para a situação do país, contra 9 por cento em 2010, a primeira queda na avaliação desde 2005.

O levantamento apontou ainda que 42 por cento dos consumidores acreditam que a crise financeira na Europa e nos Estados Unidos atingirá seus bolsos.

CLASSE C EM ASCENSÃO

O estudo mostrou também que mais de 2,7 milhões de pessoas migraram das classes DE para a C no último ano. Já as classes AB contaram com a entrada de 230 mil pessoas vindas da C.

Em 2011, a classe C representava 54 por cento da população do país, comparado a 34 por cento em 2005, quando a Cetelem iniciou o estudo. Em contrapartida, a fatia das classes DE caiu de 51 para 24 por cento no período.

"A migração de classes traz ao mercado maior volume de consumidores com necessidades ainda não atendidas, gerando oportunidades de consumo", disse Carreiro, se referindo ao fato de, desde 2005, quase 64 milhões de pessoas terem migrado de classe social no Brasil.

A pesquisa, realizada em dezembro, contou com 1.500 entrevistas com famílias de 70 cidades do país, público equivalente a 74 por cento da população.

(Por Vivian Pereira)

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