Consumo de narguilé cresce, adverte Inca

Parte da população jovem está trocando o cigarro pelo narguilé, o tradicional cachimbo de água oriental. O alerta é do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que fez uma revisão da Pesquisa Especial sobre Tabagismo (PETab), divulgada em 2008 pelo IBGE. Já naquele momento, 270 mil brasileiros utilizavam o narguilé. Levantamento do Inca, em 2011, mostrou que um em cada cinco estudantes de Odontologia, em São Paulo, utilizam outros produtos de tabaco, que não o cigarro - desses, 85% deles usavam narguilé. Entre alunos de 13 a 15 anos, de São Paulo, o uso de narguilé chegava a 93%, entre os 22% que informavam consumir outros produtos de tabaco, além do cigarro industrializado.

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h07

"O narguilé induz à dependência em tabaco da população jovem", diz a coordenadora da Divisão de Epidemiologia do Inca, Liz Almeida. O narguilé é um grande cachimbo composto de um fornilho, onde o fumo é queimado, um recipiente com água perfumada - que o fumo atravessa antes de chegar à boca - e uma mangueira, por onde a fumaça é aspirada.

Uma sessão de narguilé de 60 minutos equivale a estar em um ambiente em que são consumidos 100 cigarros. A ingestão de nicotina nesse período varia de 10 a 20 mg - contra 5 mg de um fumante de cigarro no mesmo período.

"Existe uma ideia equivocada de que o narguilé é inócuo. A água não filtra absolutamente nada e a pessoa está exposta a 4.720 componentes tóxicos", afirma a psiquiatra e chefe do Setor de Dependências Químicas da Santa Casa, Analice Gigliotti. Segundo ela, as fontes de aquecimento utilizadas, como carvão, liberam outros compostos químicos, como metais e monóxido de carbono.

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