Consumo dos EUA derruba bolsas

Incerteza em relação às compras zera ganhos do mês; ontem, Dow Jones caiu 2,5% e Bovespa recuou 3,41%

, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Incertezas quanto à consistência da recuperação da economia americana fizeram o pessimismo voltar a guiar os mercados de ações, movimento seguido pela Bovespa, que caiu forte, zerando os ganhos do mês. Pressionado também pelas ações de companhias domésticas que divulgaram resultados trimestrais frustrantes, o Ibovespa caiu 3,41%, para 61.545 pontos, com um giro financeiro de R$ 7,1 bilhões. Em outubro, o índice teve uma oscilação positiva de 0,05%.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou em queda de 249,85 pontos, ou 2,5%, para 9.712,73, segundo cálculos preliminares. O índice de 500 ações Standard & Poor"s caiu 29,83 pontos, ou 2,81%, para 1.036,18, e o índice composto Nasdaq recuou 42,44 pontos, ou 2,5%, para 2.045,11.

Para o analista Gabriel Goulart, da Mercatto Investimentos, o recuo de ontem evidenciou o impasse a que chegaram os investidores, diante de números desencontrados da economia e das empresas que puseram em xeque as apostas de recuperação da economia global. "Há alguma recuperação, é verdade, mas mesmo os mais otimistas sabem que muito disso é artificial, por causa dos pacotes de estímulo dos governos."

O anúncio, pela manhã, que o índice de confiança do consumidor dos Estados Unidos caiu em outubro ofuscou parte do otimismo da véspera, quando o governo local havia reportado alta de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, pondo fim a uma recessão que já durava um ano. Um relatório divulgado pela Universidade de Michigan mostrou que os consumidores tiveram uma visão levemente menos otimista da economia em outubro do que tiveram em setembro. A pesquisa, baseada em entrevistas com 500 famílias sobre tópicos como desemprego e renda, prevê hábitos dos consumidores. A recuperação do consumo é considerada fundamental para uma retomada da economia americana, já que as compras de consumidores representam cerca de dois terços de gastos do país.

O ânimo dos investidores de Wall Street azedou de vez à tarde, depois de um analista prever que o Citigroup teria mais US$ 10 bilhões em baixas contábeis no quarto trimestre.

O movimento de reversão dos mercados já havia começado na semana passada, com um potente movimento global de realização de lucro, em meio a dados econômicos e corporativos divergentes, que mostraram percalços no caminho da retomada econômica.

Na bolsa paulista, o movimento foi catalisado pelo início da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de estrangeiros. Desde então, esses investidores diminuíram a exposição ao mercado acionário brasileiro em R$ 3,5 bilhões, embora no ano a entrada líquida ainda seja de R$ 19,5 bilhões.

Ontem, os negócios domésticos ainda foram contaminados por resultados decepcionantes de algumas empresas. Embraer encolheu 10,6%, depois que a fabricante de aviões anunciou dados abaixo das expectativas e previu receitas 10% menores para 2010. Tim Participações também não agradou com os resultados trimestrais e caiu 10%. Entre as blue chips, o papel preferencial da Vale perdeu 4%, enquanto o da Petrobrás recuou 2,8%. COM THE NEW YORK TIMES e AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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