Contas públicas têm pior julho da história

A economia feita pelo setor público para o pagamento de juros permaneceu em forte queda em julho, refletindo a deterioração da arrecadação de tributos e a elevação dos gastos do governo.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

27 Agosto 2009 | 13h21

O resultado fiscal primário foi superavitário em 3,180 bilhões de reais em julho, pior resultado para o mês desde o início da série, informou o Banco Central nesta quinta-feira. Em julho de 2008, o superávit havia sido de 11,057 bilhões de reais.

Nos 12 meses acumulados até julho, o resultado primário caiu para 1,76 por cento do Produto Interno Bruto, abaixo da meta do governo para o ano de 2008 e frente a 2,04 por cento do PIB em junho.

"São resultados coerentes com o nível de atividade mais baixa que se tem e com as desonerações feitas pelo governo em uma ação anticíclica", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a jornalistas.

"Já era esperado, assim como também já é esperada uma recuperação dos resultados com a retomada do nível de atividade econômica que se espera a partir de agora."

Ele destacou que os resultados primários menores têm sido parcialmente compensados pela menor incorporação de juros à dívida resultantes da queda da Selic.

Em 12 meses até julho, o vencimento de juros somou o equivalente a 5,11 por cento do PIB, melhor resultado da série. Em julho apenas, foram incorporados 16,169 bilhões de reais em juros. Com isso, o país fechou o mês com déficit nominal de 12,989 bilhões de reais.

O governo tem como meta um superávit primário de 2,5 por cento do PIB em 2009, resultado que pode cair até 2 por cento do PIB com o abatimento de gastos com obras consideradas prioritárias (Projeto Piloto de Investimentos).

"Você está rodando basicamente no limite de cumprimento da meta desse ano", afirmou Diego Donadio, analista senior para América Latina no BNP Paribas. Ele disse esperar que o setor público feche 2008 com um resultado primário de 2,2 por cento do PIB.

DÍVIDA EM ALTA

A redução do primário teve impacto sobre o endividamento líquido do país, que subiu a 44,1 por cento do PIB em julho, o maior patamar desde outubro de 2007 (44,2 por cento). Em junho, o endividamento estava em 43,2 por cento do PIB em junho.

Também pesou para essa alta da dívida a valorização cambial registrada no mês, que afetou negativamente os ativos cambiais do país.

Para agosto, a expectativa do BC é que a dívida oscile para 44,2 por cento do PIB.

(colaborou Ana Nicolaci da Costa)

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