Contra investida do bando, brasileiros se recusam a deixar país

Produtores disseram que vão continuar a trabalhar e depositam esperança na força-tarefa do governo paraguaio

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2014 | 21h00

A guerrilha de extrema esquerda, que pressiona o norte do Paraguai, não vai afastar os produtores rurais brasileiros e seus descendentes daquela região, população calculada em cerca de 300 mil pessoas. A afirmação é do agricultor Ivo Pigosso, que cultiva soja e milho, além de criar gado, em terras de San Pedro e Santa Rosa del Aguaray.

“Estamos aqui no Paraguai há anos. Nossos filhos e netos são paraguaios. Fizemos investimentos e a vida trabalhando aqui”, afirmou Pigosso, que tem também lavouras vizinhas à área na qual o Exército do Povo Paraguaio (EPP) atua. 

“Essa pressão toda começou tem uns 6 anos, no governo do (ex-presidente e hoje senador Fernando) Lugo”, disse o produtor. Lugo foi destituído da Presidência paraguaia pelo Senado em 2012. Horário Cartes, sucessor dele pelo voto, acaba de completar um ano no poder. 

“Não vamos embora, não”, disse o fazendeiro. Para ele, o clima é de insegurança, mas os produtores não devem deixar as propriedades. 

Pigosso concorda que a existência do EPP na região torna o ambiente tenso, mas ressalta que os produtores confiam no governo Cartes para uma solução. Morando na área há 25 anos, ele garantiu que não pretende abandonar o país. “Quem trabalha vai continuar produzindo”, disse.

Depois do impacto do sequestro na opinião pública, o governo paraguaio enviou à frente de combate ao EPP três blindados, 50 metralhadoras e 300 pistolas como reforço. Na quinta-feira, um dos blindados estava estacionado à beira da Rota 3, em uma demonstração de força perto de Santa Rosa del Aguaray. O blindado é usado à noite em patrulhas ou em operações de confronto, como ocorreu em Arroyito, distrito de Horqueta. 

“Os ataques do EPP são mais à noite”, disse o policial. “Mas já houve emboscada até com sol alto”, explicou o oficial Cláudio Cabrera, que já perdeu dois homens em combate e teve pelo menos outros quatro feridos. “É perigoso andar por aí sem escolta”, alertou. / P.P.

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