Contra o greening, inspeção rotineira

Identificar sintomas e eliminar plantas atacadas ajudam no controle da doença, considerada a pior dos pomares de citros

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2008 | 03h06

Embora ainda seja prática recente para o citricultor paulista, o monitoramento de plantas para o controle do greening torna-se cada vez mais necessário. O greening, detectado pela primeira vez no País em 2004, é considerado a pior doença de pomares citrícolas do mundo e já levou à eliminação de 2 milhões de plantas no Brasil. Segundo o gerente técnico do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Cícero Augusto Massari, o controle da doença passa por três estágios: a compra de mudas, o controle do inseto vetor e a eliminação de plantas doentes.As mudas, diz, devem ser provenientes de viveiros certificados, cadastrados na Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (CDA) - no site www.cda.sp.gov.br, link Mudas cítricas, há a lista de viveiros registrados - e telados, o que impede a entrada do inseto transmissor do greening, o psilídeo Diaphorina citri.O próximo passo no controle do greening - o controle químico do inseto vetor - já faz parte da rotina do produtor, conforme Massari. O problema, afirma, é o citricultor fazer a inspeção do pomar, da qual depende a eliminação de plantas doentes e a segurança de árvores sadias. ''''A inspeção é nova para o produtor'''', diz o gerente técnico, referindo-se à Instrução Normativa 32, publicada em setembro de 2006. Pela IN 32, citricultores paulistas passaram a ser responsáveis não só pela erradicação de plantas doentes, mas também pela inspeção da área. Antes da IN 32, o monitoramento de pomares era feito pelo Fundecitrus e pela Secretaria de Agricultura paulista. Agora, o produtor também é obrigado a entregar, todo semestre, no Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) local, o Relatório de Inspeção do Produtor, que comprova a inspeção pelo proprietário.''''A inspeção consiste em caminhar entre as linhas de plantio e identificar, visualmente, eventuais sintomas da doença'''', explica.RAMOS AMARELADOSAs folhas perdem a coloração verde original e os ramos ficam amarelados. O sintoma típico, porém, são folhas mosqueadas. ''''A folha mosqueada tem coloração assimétrica nos dois lados da nervura central'''', descreve. Outros sintomas são queda de folhas e frutos secos e mal formados.Se houver sinais da doença, a planta inteira deve ser eliminada. ''''Como a bactéria ataca o sistema vascular responsável pelo transporte de nutrientes (floema), a poda da parte afetada é inútil, pois a doença já está espalhada dentro da árvore, transportada pela seiva'''', justifica. A forma mais comum de eliminar plantas doentes é com motosserra, cortando a árvore rente ao solo. Depois, é aplicado no tronco produto químico que evita novas brotações. ''''Arrancar a planta não é indicado porque estoura as raízes e pode originar brotações doentes.'''' Massari diz que não é preciso queimar as plantas derrubadas, pois elas murcham e não são mais atrativas aos insetos. ''''Caso haja dúvidas sobre o diagnóstico, o produtor pode procurar um de nossos agrônomos e enviar a amostra ao laboratório do Fundecitrus.''''Massari destaca que o número de inspeções varia conforme o tamanho da área, mas a recomendação é fazer, pelo menos, quatro visitas/ano. ''''Ideal é intensificar a inspeção em abril, na seca, quando os sintomas ficam mais evidentes. A identificação de plantas doentes agora, porém, facilita o controle mais para a frente.''''Até agora, 165 municípios paulistas já apresentam focos da doença. Araraquara e municípios vizinhos - Matão, São Carlos, Descalvado, Santa Rita do Passa Quatro, Brotas, Boa Esperança do Sul, Rincão, Analândia e Santa Lúcia - concentram 80% das plantas doentes.O Fundecitrus está promovendo treinamentos periódicos para produtores, com palestras e visitas a pomares atacados. Os próximos encontros serão em Araraquara, dia 27, para citricultores da região de Marília, e 6 de março, para os municípios de Indiaporã e Cardoso.INFORMAÇÕES: Fundecitrus, tel. 0800 11 21 55

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