Contrabando levou à globalização, aponta estudo

Em um estudo do American Journal of Sociology, Emily Erikson e Peter Bearman, pesquisadores da Universidade Columbia, sugerem que um exemplo precoce de globalização foi resultado direto de más práticas individuais - especificamente, transações pessoais com recursos desviados da empresa. Os pesquisadores analisaram dados de 4.572 viagens completadas pela Companhia das Índias Orientais entre 1601 e 1833 - oferecendo um panorama raro de como mercados globais densamente conectados emergiram da má conduta de empreendedores individuais. "Nós mostramos que, por um período limitado de tempo, emergiu uma oportunidade única para que os agentes com interesses próprios atuassem; que suas ações culminaram em uma infra-estrutura de rede que os transcendeu, e por fim criaram o contexto de seu próprio legado", escreveram os autores do estudo."Aparentemente, este contexto também foi o contexto para a emergência dos modernos mercados capitalistas, o que sugere que a rede global de transações capitalistas, hoje tão familiar para nós, foi em boa parte o produto das más práticas individuais".Utilizando evidências compiladas de diários de bordo de embarcações, livros de contabilidade e outras fontes, Erikson e Bearman mostram que os capitães e marinheiros dos barcos que pertenciam à Companhia das Índias Orientais usaram o espaço dos navios destinado à carga pessoal para sustentar o contrabando. Ao invés de retornar diretamente à Inglaterra, esses capitães circulavam pelo Oriente, ligando locais exóticos por meio do comércio ilícito e, inadvertidamente, criaram um mercado global, no qual as oscilações em um lugar tinham repercussões pelo restante do mundo.

Agencia Estado,

17 de julho de 2006 | 18h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.