Controles de bancos do Chipre vão durar um mês, diz ministro

O Chipre admitiu nesta quinta-feira que os rígidos controles de capital permanecerão em vigor mais tempo do que o esperado, enquanto os bancos da ilha reabriam as portas pela primeira vez depois de o governo ter sido obrigado a aceitar um duro pacote de resgate da União Europeia para evitar a falência.

KAROLINA TAGARIS E MICHELE KAMBAS, Reuters

28 de março de 2013 | 18h54

Os cipriotas fizeram filas calmamente para retirar quantias limitadas de dinheiro, mas não havia sinais de uma corrida para retirada de depósitos, como era temido.

Os bancos ficaram fechados por quase duas semanas enquanto o governo negociava um resgate internacional de 10 bilhões de euros (13 bilhões de dólares), o primeiro na zona de moeda única da Europa a impor perdas aos correntistas.

O Chipre espera suspender completamente o regime de controles de capital sobre seus bancos em "cerca de um mês", afirmou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores do país, Ioannis Kasoulides.

"Uma série de restrições serão suspensas e, gradualmente, provavelmente durante um período de cerca de um mês de acordo com as estimativas do banco central, as restrições serão completamente suspensas", disse Kasoulides a repórteres.

O governo disse inicialmente que os controles continuariam funcionando por uma semana, sujeitos a revisão. Economistas dizem que eles serão difíceis de serem suspensos enquanto a economia estiver em crise.

Funcionários de bancos voltaram ao trabalho na manhã de quinta-feira enquanto o dinheiro era entregue por caminhões blindados, e filas de uma dezena ou mais de pessoas se formavam nas filiais de bancos na capital, com guardas uniformizados a postos.

As portas foram abertas ao meio-dia (horário local) e fecharam às 18h, mas não houve corrida visível para a retirada de depósitos.

Muito dinheiro já tinha sido retirado eletronicamente. Números publicados pelo Banco Central do Chipre mostraram que os poupadores de países da zona do euro retiraram 18 por cento de seus depósitos da ilha em fevereiro, enquanto as conversas sobre um imposto sobre contas nos bancos ganhavam força.

Depósitos totais do setor bancário privado em Chipre caíram 2,2 por cento, para 46,4 bilhões de euros, no mês passado, depois de uma queda similar em janeiro.

Para ajudar os bancos cipriotas a amenizar a crise, o Banco Central Europeu enviou 5 bilhões de euros (6,4 bilhões de dólares) em dinheiro desde Frankfurt, disse um jornal alemão.

O governo disse que tinha nomeado um painel para investigar o colapso bancário e examinar alegações de acionistas júniores.

"Terá um mandato amplo", disse Constantinos Petrides, subsecretário do presidente cipriota. "Irá investigar as responsabilidades criminal, civil e política".

O decreto de controle de capital estava colado às janelas das filiais dos bancos e os funcionários entregavam cópias aos clientes. Em Nicósia havia alívio, mas certa apreensão sobre o que poderia acontecer.

"Você não faz ideia de como eu estava esperando por isso", disse o aposentado de 64 anos Froso Kokikou, esperando na fila de uma filial do Banco Popular do Chipre, também conhecido como Laiki.

"Sinto medo e desapontamento tendo que fazer fila assim; parece um país do Terceiro Mundo, mas o que se pode fazer?" disse Kokikou. "Foi o que nos impuseram e temos que nos conformar".

O presidente Nicos Anastasiades elogiou a "maturidade e responsabilidade" mostrada por cipriotas frente à crise.

"Mostramos que não apenas queremos tirar nosso país dessa posição difícil, mas que o faremos", dizia um comunicado da presidência.

(Reportagem adicional de Laura Noonan e Costas Pitas)

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