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Convênio entre Sesc e USP rende exposição sobre arte indígena

Adornos que pertencem ao Museu de Arqueologia e Etnologia são expostos ao lado de obras de artistas contemporâneos no Sesc Pinheiros

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2016 | 05h00

Os museus da Universidade de São Paulo podem ganhar maior visibilidade com um recente convênio assinado com o Sesc, do qual um dos primeiros resultados é a exposição Adornos do Brasil Indígena – Resistências Contemporâneas, em cartaz até 8 de janeiro do próximo ano no Sesc Pinheiros. Reunindo um conjunto de artefatos pertencentes ao Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, a mostra traz também fotografias e filmes de diferentes etnias indígenas, explorando o diálogo com a produção de artistas contemporâneos como Benê Fonteles, presente na 32.ª edição da Bienal, Cláudia Andujar, Carlos Vergara, Paulo Nazaré e Anna Bella Geiger.

O convênio entre o Sesc e a USP foi assinado em julho e deve render outras exposições. A próxima, segundo o diretor regional do Sesc em São Paulo, Danilo Santos de Miranda, vai ser uma parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da USP, que tem mais de 8 mil objetos em seu acervo, entre eles peças da coleção do escritor modernista Mário de Andrade.

“Já desenvolvíamos alguns ações conjuntas com a ECA (Escola de Comunicações e Artes) e outros departamentos da USP, mas essa aproximação com o MAE concretizou um projeto de mostrar para o grande público um acervo que pouca gente conhece”, diz o sociólogo Santos de Miranda, que dirige o Sesc há 32 anos. Investindo cerca de R$ 1 milhão na exposição, com curadoria do crítico Moacir dos Anjos e do MAE, o Sesc tem planos de itinerância para a mostra, segundo o diretor.

A exposição conta com 200 artefatos do acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia, que tem em sua coleção peças raras do Brasil indígena e objetos de diferentes continentes e épocas, desde a Europa paleolítica até a produção dos povos da África Ocidental.

"Nossa coleção de documentos e objetos arqueológicos e etnográficos ultrapassa 1 milhão de itens, que um convênio como o Sesc ajuda a tornar acessível ao público”, avalia a diretora do museu, Maria Cristina Oliveira Bruno. “Inclusive no exterior”, conclui, na esperança de que a itinerância da mostra alcance alguns países estrangeiros.

O MAE, além da exposição no Sesc Pinheiros, tem colaborado com outras mostras realizadas em instituições como o Museu de Arte Moderna (MAM). O museu emprestou para o 34.º Panorama da Arte Brasileira, realizado há um ano, alguns zoólitos que figuraram na mostra organizada com curadoria de Aracy Amaral e Paulo Miyada. “Aracy começou a pesquisa em nosso museu e ajudamos a localizar algumas peças em outros acervos”, revela a diretora.

Na exposição Adornos do Brasil Indígena, o curador Moacir dos Anjos elege, a exemplo do 34.º Panorama de Arte, o diálogo entre a arte ancestral – no caso, dos indígenas – e os contemporâneos. “Não queria mostrar esse acervo de forma antropológica, mas em atrito com a arte que se faz hoje”, justifica. Assim, ao lado de objetos etnográficos de etnias como bororos (MT), guaranis (SP) e carajás (GO), que testemunham a longa tradição da arte indígena, estão artistas consagrados que trabalham para divulgar essa cultura. “Queria fugir da noção de embelezamento desses adornos para mostrar essa arte como uma forma de resistência contra o apagamento da identidade indígena”, esclarece o pesquisador e curador recifense.

História do museu. É do Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, fechado para reforma, que o Museu de Antropologia e Etnologia (MAE) herdou parte de suas peças mais antigas. Uma segunda fonte de raros objetos foi o extinto Museu de Etnografia, ativo nos anos 1930 com a ajuda de doadores e colecionadores. O MAE começou a crescer nos anos 1970, quando seu acervo tinha apenas 4 mil objetos.

Basta dizer que, em 1976, o museu comprou uma coleção de arte egípcia invejada até pelo Museu Britânico. Em 1989, oficialmente constituído durante o reitorado de José Goldemberg, o MAE incorporou acervos antropológicos, logo ultrapassando a marca das 100 mil peças em seu patrimônio.

A colaboração do museu com exposições realizadas fora de sua sede não é recente. A Mostra do Redescobrimento, que comemorou os 500 anos da descoberta do Brasil, recebeu muitas peças do acervo do MAE, que já chegou a emprestar obras para exposições fora do País, caso de Brasil, a Herança Africana, sediada no Museu Dapper, em Paris, em 2005.

Atualmente, o MAE tem 150 mil peças em seu acervo, que reúne objetos do Oriente Médio, da América pré-colombiana e do Brasil pré-colonial, além de artefatos das civilizações do Mediterrâneo.

Ainda que seja um museu com uma coleção atraente e boas exposições, o MAE ainda não dispõe de uma sede à altura nem recebe o número de visitantes esperado para uma instituição como essa. O convênio do Sesc com a USP pode, enfim, mudar esse panorama.

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