Conversor a R$ 250: funciona?

'Link' foi conferir testes de receptor de TV digital que deve custar até quatro vezes menos e serálançado em fevereiro

Rodrigo Martins,

14 Janeiro 2008 | 00h00

Enquanto grandes fabricantes vendem seus decodificadores para TV digital a preços astronômicos, que chegam a custar duas vezes mais que um televisor de 29 polegadas, uma pequena empresa de São Paulo promete colocar, em fevereiro, um aparelho por R$ 250 nas lojas. E com recepção também para televisores de alta definição. O equipamento está em fase final de desenvolvimento pela Comsat, fabricante de receptores de antena parabólica, e foi anunciado com entusiasmo pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, no fim de 2008. Mas será que funciona? O discurso das gigantes de eletrônicos, como Semp Toshiba, Philips e Positivo, até agora era de que seria impossível vender um conversor mais barato. Para tirar a dúvida, o Link foi conferir os testes. E não é que se surpreendeu? Na semana passada, a reportagem acompanhou imagens recebidas pelo aparelho em uma TV de alta definição, com 1.080 linhas, no laboratório da Comsat. O canal sintonizado era a RedeTV!, que exibia o programa Bom Dia Mulher em alta definição. A recepção das imagens foi tão boa quanto em conversores "top" que o Link testou anteriormente, como os da Semp Toshiba, da Philips e da Positivo. Melhor: o decodificador é bem mais rápido para trocar de canal do que o modelo da Positivo, que custa até três vezes mais e tem tempo de resposta lento. Qual é o truque para produzir por um preço tão mais baixo que a concorrência? Segundo um dos sócios da Comsat, Jakson Sosa, a empresa utiliza uma tecnologia mais nova. "Fizemos um contrato de exclusividade com a fabricante de processadores ST. Ela nos forneceu um chip mais moderno, que permite diminuir o número de componentes necessários para o conversor. Assim, ele fica mais barato." Além disso, diz Sosa, tudo o que era supérfluo foi "enxugado". De fato, o aparelho não tem visor; o design é feinho; não reproduz fotos e músicas, como os modelos "top"; não tem entrada para rede ethernet, apenas uma USB, por onde um modem externo pode ser conectado para participar da interatividade, quando ela estiver disponível no Brasil (o aparelho não conta com o software Ginga, que "poderá ser instalado no futuro", diz Sosa). Quanto à conectividade, o conversor deve ser lançado em duas versões: uma mais simples, com conexão de vídeo composto, para TVs tradicionais, e vídeo componente, que traz melhor qualidade de imagem. Para o consumidor, deverá custar em torno de R$ 230. O outro modelo trará conexão de vídeo composto e de HDMI, esta última a mais indicada para televisores de alta definição de plasma ou de LCD. Deve sair por R$ 250 nas lojas. O conversor ainda não está pronto. O software para trocar de canal e configurar o aparelho ainda está em inglês e não reconhece que o canal 5, por exemplo, é a Globo. O protótipo ainda está em uma caixa velha de metal e o controle remoto não é o definitivo. Mas, segundo Sosa, no início de fevereiro, tudo isso estará resolvido e os aparelhos estarão nas lojas. "Vamos focar nas classes C e D. Elas é que popularizarão a TV digital. Vamos produzir 40 mil modelos por mês. E, quanto mais produzirmos, mais barato irá ficar, pois teremos economia de escala. Os outros fabricantes terão de correr atrás", diz ele, que também está desenvolvendo outros produtos, como um micro de mão que recebe TV digital e será vendido a R$ 400.

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