Convite ao Irã lança dúvidas sobre diálogo sobre a Síria

Um inesperado convite de última hora da Organização das Nações Unidas (ONU) para que o Irã compareça à conferência de paz sobre a Síria colocou as negociações em dúvida nesta segunda-feira, com a oposição síria dizendo que não participará do diálogo se o secretário-geral Ban Ki-moon não retirar o convite.

LOUIS CHARBONNEAU E PARISA HAFEZI, Reuters

20 de janeiro de 2014 | 14h01

O Irã é o principal aliado internacional do presidente da Síria, Bashar al-Assad, e a participação do país na conferência tem sido um dos temas mais polêmicos do primeiro diálogo reunindo o governo de Assad e seus adversários, negociações previstas para começar na quarta-feira na Suíça.

Para aumentar as incertezas sobre a conferência, Assad disse que pode buscar a reeleição neste ano, descartando qualquer negociação sobre a sua saída do poder, a principal reivindicação dos seus opositores.

O convite aparentemente pegou as potências ocidentais de surpresa. Os Estados Unidos e a França afirmaram que o Irã não seria bem-vindo, a não ser que o país publicamente apoiasse o acordo de Genebra de 2012, que defende um governo provisório para a Síria.

"Isso é algo que o Irã nunca fez publicamente e é algo que nós estamos há tempo deixando claro que é necessário", declarou Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, em um comunicado.

"Se o Irã não aceitar por completo e publicamente o comunicado de Genebra, o convite deve ser cancelado."

O principal grupo sírio de oposição no exílio, a Coalizão Nacional, que só concordou em ir à Genebra 2 há dois dias, disse que vai voltar atrás se o convite ao Irã for mantido.

"A Coalizão síria anuncia que não irá à Genebra 2 a não ser que Ban Ki-moon retire o convite ao Irã", dizia um post no Twitter, citando o porta-voz da Colizão Louay Safi.

Ban declarou que o convite foi feito depois que o ministro do Exterior do Irã, Javad Zarif, disse que aceitava as resoluções de 2012.

"O ministro Zarif e eu concordamos que o objetivo das negociações é estabelecer por consenso um governo transitório com poderes executivos plenos", afirmou o secretário-geral.

"Ele me assegurou que, como todos os outros países convidados para o dia de abertura das discussões em Montreux, o Irã entende que a base para o diálogo é a implementação plena do comunicado de 30 de junho de 2012."

O Irã disse, no entanto, que compareceria às negociações sem ter aceitado qualquer pré-condição, aparentemente mantendo a sua posição tradicional.

"Sempre rejeitamos pré-condições para comparecer à Genebra 2. Com base num convite oficial que recebemos, o Irã irá à Genebra 2 sem qualquer pré-condição", disse Marzieh Afkham, porta-voz do Ministério do Exterior, segundo citação da agência de notícias iraniana ISNA.

(Reportagem adicional de Michelle Nichols, Oliver Holmes, Ali Abdelatti, Lesley Wroughton e John Irish)

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