Coordenação da agência será conjunta, diz Cardozo

Para combater a onda de violência em São Paulo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, definiram nesta terça-feira (6), após encontro no Palácio dos Bandeirantes, seis áreas de cooperação entre as esferas estadual e federal, sendo que uma das principais iniciativas é a criação de uma agência para coordenar, de maneira integrada, as ações de inteligência das polícias estadual e federal no combate ao crime organizado. "As organizações criminosas não tem fronteiras. É fundamental participarmos juntos", ressaltou o governador. Já o ministro destacou a importância dos trabalhos conjuntos no setor de inteligência: "Não se combate o crime organizado sem inteligência."

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

06 de novembro de 2012 | 18h44

De acordo com Cardozo, essa ação integrada tem como um dos principais objetivos "asfixiar financeiramente o crime organizado". Farão parte dessa agência uma série de órgãos federais e estaduais. No âmbito federal, será composto pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, a Secretaria Nacional de Segurança Pública - que comanda a Força Nacional - o Depen, órgão que administra as cadeias, a Receita Federal e o DRCI, que cuida da repatriação de ativos. Na esfera estadual, as secretarias de Segurança Pública e Administração Penitenciária, a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnico-científica, Secretaria da Fazenda e Ministério Público Estadual. De acordo com Cardozo, a Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo também deverá integrar a nova agência.

O ministro explicou que a coordenação da agência será conjunta, com um representante do governo estadual e outro do federal. "Já definimos a coordenação dessa agência, será conjunta, da parte federal será o doutor Troncon (Roberto Ciciliati Troncon), que é o superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Da parte de São Paulo, será o secretário adjunto de Segurança Pública, doutor Jair Manzano", afirmou.

As outras áreas de cooperação entre o governo federal e o de São Paulo envolvem a administração penitenciária, com a possibilidade da transferência de presos para presídios federais - o foco, argumentou Alckmin, será nos presos que pertencem a facções criminosas e autores de ataques contra policiais. A parceria também visa a contenção do crime organizado por ações empreendidas por vias rodoviária, marítima e aérea, o enfrentamento ao crack, cooperação das polícias científica e pericial e a criação de um centro de comando dessas ações integradas. A primeira reunião do grupo, onde serão detalhadas as ações a serem desenvolvidas em conjunto pelos dois governos, está agendada para a próxima segunda-feira (12), na capital, com representantes dessas administrações e do próprio ministro da Justiça.

Cardozo afirmou que não serão enviadas tropas federais para São Paulo, ressaltando os mais de 130 mil policiais atuando em São Paulo. A ação integrada entre as inteligências dos dois governos visa a produção de protocolos para "asfixiar financeiramente o crime organizado", ressaltou o ministro da Justiça. "Juntos, o governo estadual e federal são muito mais fortes no combate ao crime organizado", emendou o governador.

Além de Cardozo e Alckmin, participaram do encontro desta terça no Palácio dos Bandeirantes os secretários Sidney Beraldo (Casa Civil), Antonio Ferreira Pinto (Segurança Pública) e Lourival Gomes (Administração Penitenciária), além de membros da cúpula da Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil e representantes do Ministério Público e da Administração Penitenciária.

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