COP não terá nível de ambição necessário, diz Figueres

A secretária executiva da Convenção do Clima, Christhiana Figueres, fez nesta sexta-feira (30) um balanço sobre a primeira semana da 18ª Conferência das Partes do Clima das Nações Unidas (COP), que acontece em Doha (Catar), dando o tom do pouco que se pode esperar da reunião que deveria encaminhar o mundo para a luta de impedir que o planeta se aqueça a mais de 2ºC até o final do século.

GIOVANA GIRARDI, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

30 de novembro de 2012 | 16h29

"O que vier de Doha não será no nível de ambição que precisamos", admitiu durante conversa com jornalistas. No início de seu discurso ela até tinha buscado mostrar otimismo, ao dizer que todos os países vêm reafirmando seu comprometimento de alcançar um acordo, mas quando questionada sobre o impacto que pode ter alguns entraves que estão aparecendo, ela reconheceu que esse acordo pode ser bem fraco.

O que mais se escuta no centro de convenções onde é realizado o evento é a referência sobre dois estudos lançados antes da conferência começar. O da agência ambiental da ONU (Pnuma) - que mostra que todas as metas obrigatórias e voluntárias que as nações apresentaram até agora estão muito aquém de deixar o mundo menos quente -, e do Banco Mundial, que já considera a hipótese de chegarmos ao fim do século com uma temperatura 4ºC mais alta que no período pré-industrial. E com base neles, a palavra mais ouvida é ambição. Os apelos, porém, não têm encontrado eco nas delegações.

Nos corredores, negociadores comentam que os lados não estão se entendendo, que a confiança estabelecida na COP passada, em Durban, está minando, e que falta liderança dos coordenadores dos grupos de discussão em tentar mediar os entraves. Ninguém fala oficialmente, mas todos também reclamam da inação do presidente da COP, Abdullah Bin Hamad Al-Attiyah, ex-ministro de Energia e Indústria do país, que é quem, em última instância, deveria estar puxando os delegados para a urgência da realidade.

O embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, chefe dos negociadores, também afirmou que há nesse momento pouco progresso e frustração, que os países não estão se movendo, mas ponderou que nas COPs anteriores a situação era semelhante ao fim da primeira semana. "Com a diferença que o resultado que temos de ter aqui já foi decido em Durban, sabemos que temos de ter balanço entre a decisão sobre o segundo período do Protocolo de Kyoto e planejar a Plataforma de Durban (um novo acordo que deve ser fechado até 2015, para entrar em vigor em 2020). Estamos atrasados, mas estamos nesse caminho. Quando os ministros chegaram (na semana que vem), acho que poderemos resolver as pendências", disse.

Ele concordou com a declaração de Figueres sobre o que esperar da reunião - "ambição não é o que vamos ver aqui", disse. Mas a posição do Brasil é que mesmo um Protocolo de Kyoto fraco é melhor do que nada, porque é que vai garantir a existência do novo tratado pós-2020. A repórter viaja a convite da Convenção do Clima (UNFCCC).

Tudo o que sabemos sobre:
climaconferência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.