Copom decide elevar juro básico em 0,25 ponto

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros para 12,00 por cento ao ano.

REUTERS

20 de abril de 2011 | 21h14

A decisão não foi unânime. Cinco diretores votaram pelo aumento de 0,25 ponto percentual, enquanto dois defenderam uma alta de 0,5 ponto.

"Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012", afirmou o Copom em comunicado.

Veja a seguir comentários de economistas e entidades sobre a decisão do Copom:

WIN THIN, CHEFE GLOBAL DE ESTRATÉGIA DE MERCADOS

EMERGENTES, BROWN BROTHERS HARRIMAN:

"Achamos que essa decisão foi um erro.

"Esperamos um aumento de 0,25 ou 0,50 ponto na reunião de 7 e 8 de junho do Copom, pois acreditamos que a trajetória de inflação ainda é de deterioração, e não de melhora.

"Ainda assim, o aumento de 0,25 ponto sugere que os mercados deveriam ficar preparados para medidas macroprudenciais mais agressivas.

"Suspeitamos que o aumento de 0,25 ponto será de neutro para negativo para o real, e negativo para a Bovespa e para os bônus locais, já que o BC fica ainda mais para trás na curva."

KATHRYN ROONEY VERA, ANALISTA, BULLTICK CAPITAL MARKETS:

"Isso é coerente com a nova política, na qual eles confiam menos no aperto monetário e mais em outras medidas e no pacote fiscal do governo. Nossa posição sobre isso, no entanto, é de que isso é arriscado. A inflação já está em 6,44 por cento... a pressão salarial é forte, o uso da capacidade está quase 2 pontos acima da média histórica. As expectativas de inflação continuam a subir.

"Meu cenário-base é que no final o Brasil vai ter que contar com mais aperto monetário do que gostaria. Ainda mantenho minha previsão de Selic a 12,75 por cento no fim do ano, porque eu acho que as expectativas de inflação realmente precisam ser freadas e desacelerar o ritmo de aperto não vai fazer isso de forma eficaz."

CARLOS KAWALL, ECONOMISTA-CHEFE DO BANCO J. SAFRA:

"O BC entrou numa fase de sintonia fina. Como mudou o passo e queria mostrar um processo longo, teve que alongar o 'statement'. Tem sinais de moderação da atividade econômica, mas não dá convicção firme. Cenário externo é o mais importante e ainda bastante incerto".

PAULO PETRASSI, SÓCIO-GESTOR, LEME INVESTIMENTOS:

"A divisão é um recado muito pior do que a própria decisão de aumentar apenas 0,25 (ponto percentual), ainda mais num momento tão delicado em termos de inflação.

O resultado disso é a abertura (alta) das taxas (de DI) mais longas, porque o mercado deve embutir nessa parte da curva os riscos de não se conseguir controlar a inflação, principalmente se o cenário de queda das commodities traçado pelo Banco Central não se concretizar. Essa é uma aposta de risco do BC."

EQUIPE DE ANÁLISE, LCA CONSULTORES:

"A decisão não chegou a surpreender, uma vez que a autoridade vinha adotando um discurso mais moderado nos seus mais recentes documentos de política monetária...

O comunicado da reunião reiterou que a autoridade está buscando uma convergência gradual da inflação para a trajetória de metas.

Com isso, a autoridade mantém as portas abertas para prolongar o aperto monetário, provavelmente mantendo a política de mesclar a elevação do juro primário com ações macroprudenciais adicionais...

Portanto, bastante provável que o aumento da Selic seja prolongado para a reunião do Copom de 8 de junho (através de mais um aumento de 25 pontos-base), ou até além, e que novas iniciativas macroprudenciais sejam adotadas."

THAÍS MARZOLA ZARA, ECONOMISTA-CHEFE, ROSENBERG &

ASSOCIADOS:

Apesar do resultado aquém do esperado, há duas boas notícias para quem (como nós) está bastante preocupado com a evolução recente da inflação.

A primeira é que a votação não foi unânime: dois diretores votaram a favor de um maior aperto.

A segunda, e, esta sim, mais importante, é a menção de que o Copom entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado seja mais adequada. Ou seja, reduziu o tamanho do passo, para estender a caminhada por mais tempo."

PEDRO TUESTA, ECONOMISTA SÊNIOR PARA AMÉRICA LATINA, 4CAST:

"A decisão não foi unânime e pode conduzir a outro aumento. O texto do comunicado sugere que esse pode ser o caso. Não estamos mudando nossa previsão de manutenção das taxas, já que eles ainda podem contar com mais medidas macroprudenciais, mas nós acreditamos que o risco de um novo aumentou substancialmente."

ANDRÉ PERFEITO, ECONOMISTA-CHEFE, GRADUAL INVESTIMENTOS:

"Acho que não vai dar outro aumento de juro. Esse 'processo suficientemente prolongado' (trecho do comunicado do BC) deve ser mais em função dos compulsórios, das medidas macroprudenciais, o ajuste fiscal. Eles estão pagando para ver o que vai acontecer no segundo semestre.

"A leitura da ata da semana que vem vai ter que ser atenta, levando em conta esse comunicado fora do comum, grande, apontando nuances. Esses detalhes vão ficar claros na ata da semana que vem.

"Desdobramentos no mercado financeiro: a gente vai ter uma perspectiva de inflação mais puxada, com juros na ponta curta caindo e na ponta longa subindo."

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI):

"A alta de 0,25 ponto dos juros básicos, ainda que em ritmo menor que na reunião passada, mostra uma perspectiva de combate ao aumento dos preços centrada unicamente na política monetária, sem o peso devido da política fiscal.

A CNI avalia que a busca do controle da inflação unicamente pela via monetária concentra o ônus sobre o setor produtivo e encarece consideravelmente o investimento."

(Reportagem de Aluísio Alves, Silvio Cascione, Luciana Lopez e José de Castro)

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