Cordilheira similar aos Alpes é achada sob o gelo antártico

Cadeia de montanhas submersa seria do tamanho dos Alpes europeus, com 4 mil metros de altura

BBC Brasil, BBC

25 de fevereiro de 2009 | 08h48

Uma equipe de cientistas internacionais divulgou nesta quarta-feira que uma cordilheira situada quatro quilômetros abaixo do gelo da Antártida é do tamanho dos Alpes europeus. A cordilheira de Gamburtsevs havia sido detectada por uma equipe de exploradores russos nos anos 50 e estava sendo estudada há seis semanas por cientistas britânicos, americanos, alemães, australianos, chineses e japoneses.A equipe não apenas confirmou a presença das montanhas, como se surpreendeu em constatar que as formações são semelhantes aos Alpes em aspecto e tamanho."Nós podemos confirmar que elas estão lá. Podemos vê-las sob o gelo", disse Fausto Ferraccioli, um dos especialistas envolvido na missão AGAP (Província Gamburtsev da Antártida)."Não apenas elas são similares em dimensão com os alpes europeus, como também são parecidas no aspecto: podemos ver grandes picos e vales", disse Ferraccioli à BBC News.Ainda segundo os especialistas, algumas montanhas seriam do tamanho do Mont Blanc, na França, que tem mais de quatro mil metros de altura.Os cientistas mapearam a cordilheira a partir de um avião que usava radares instalados nas asas capazes de detectar a espessura do gelo e a forma das montanhas. Os equipamentos instalados no avião também puderam realizar pesquisas magnéticas e gravitacionais e captar as ondas sísmicas que atravessam a cordilheira. Uma área de cerca de 120 mil quilômetros foi sobrevoada , o equivalente a três voltas em torno da Terra. "As temperaturas eram de -30 graus. Mas três quilômetros abaixo de nós, no fundo do gelo, as temperaturas eram bem mais quentes", afirmam os cientistas.A equipe disse ter encontrado água nos vales da cordilheira e um dos lagos seria do mesmo tamanho do Lago Ontário, um dos cinco maiores dos Estados Unidos. Os pesquisadores acreditam que a cordilheira de Gamburtsevs esteja na origem das geleiras que cobriram toda região polar durante o resfriamento da Terra, há mais de 30 milhões de anos. A partir dos resultados, os cientistas esperam identificar o melhor local para perfurar o gelo. Amostras de ar já recolhidas das camadas de neve da região podem fornecer informações valiosas sobre a história do clima da Terra. "Por enquanto, esta é a primeira página de um livro. Até agora o que temos é um plano ambicioso e temos pela frente estes dados importantíssimos para explorar", disse Ferraccioli. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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