Coreia do Norte alerta ONU sobre 'acompanhamento' militar

O enviado da Coreia do Norte para a Organização das Nações Unidas (ONU), Sin Son-ho, disse nesta terça-feira que uma eventual ação do Conselho de Segurança com relação ao naufrágio de uma corveta sul-coreana em março será alvo de um "acompanhamento" militar.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

15 de junho de 2010 | 18h38

A Coreia do Sul levou neste mês ao Conselho de Segurança da ONU sua queixa de que a Coreia do Norte teria torpedeado sua corveta Cheonan, resultando na morte de 46 militares, e pediu medidas para evitar "novas provocações."

"Se o Conselho de Segurança divulgar quaisquer documentos contra nós condenando ou nos questionando em qualquer documento, então eu, como diplomata, nada posso fazer, mas medidas de acompanhamento serão realizadas por nossas forças militares", disse Sin, em inglês, numa rara entrevista coletiva.

"Se qualquer ação for tomada pelo Conselho de Segurança contra nós, eu perco meu trabalho", disse ele. "Os militares terão seu próprio trabalho, quero dizer, a continuidade."

Ele disse que a situação na península da Coreia permanece tensa devido às "imprudentes manobras" do Sul. Segundo ele, a região vive "uma situação incerta, em que a guerra pode estourar a qualquer momento." Nessa hipótese, "nosso povo e nosso Exército irão esmagar nossos agressores."

As delegações das duas Coreias apresentaram separadamente aos 15 países do Conselho as suas versões sobre os incidentes de 26 de março. O presidente do Conselho, o mexicano Claude Heller, pediu que as duas partes "evitem qualquer ato que possa escalar as tensões na região."

Diplomatas dizem que a Coreia do Sul espera uma reprimenda do Conselho ao Norte. Mas a China, que tem poder de veto, reluta em apoiar qualquer medida que possa afetar sua aliada Coreia do Norte.

Sin reiterou a posição norte-coreana de que as acusações de Seul são uma "completa fabricação" e exigiu que Pyongyang possa enviar sua própria equipe de investigação ao local do incidente.

"É de fato uma história engraçada", disse ele sobre a investigação sul-coreana, "algum tipo de ficção." "Se os sul-coreanos não têm nada a esconder, não há razão para que não aceitem o nosso grupo de inspeção."

Ele rebateu longamente as provas apresentadas pela Coreia do Sul, e sugeriu que a corveta pode ter naufragado por causa de rochas no mar. "Não estou aqui para culpar ninguém, mas para esclarecer o que aconteceu."

Sin também contestou o caráter internacional da investigação realizada, alegando que os estrangeiros tinham papel apenas simbólico num trabalho realizado por sul-coreanos.

Segundo ele, as acusações foram "fabricadas na busca por objetivos políticos", entre os quais influenciar nas recentes eleições da Coreia do Sul e envenenar as boas relações da Coreia do Norte com a China.

Os Estados Unidos, disse Sin, também se beneficiaram do incidente, por terem contribuído para que o Japão recuasse das suas exigências anteriores para que os norte-americanos fechassem a sua base militar de Okinawa.

(Reportagem adicional de Patrick Worsnip)

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