Coreia do Norte diz que deteve turista dos EUA que pediu asilo

A Coreia do Norte afirmou nesta sexta-feira que deteve neste mês um norte-americano de 24 anos que pediu asilo depois de chegar ao país com um visto de turista em "uma grave violação de sua ordem jurídica".

Reuters

25 de abril de 2014 | 17h36

O anúncio foi feito enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estava visitando a Coreia do Sul, um dos aliados mais próximos de Washington e ainda tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte.

"Um órgão competente da RDPC colocou em custódia o norte-americano Miller Matthew Todd, de 24 anos, em 10 de abril, por seu comportamento imprudente durante a fase de formalidades para a entrada na RPDC para visitá-la", informou a agência de notícias norte-coreana KCNA, citando o nome oficial do país, a República Popular Democrática da Coreia.

A KCNA afirmou que o homem detido tinha um visto de turista para a Coreia do Norte, mas o rasgou em pedaços e gritou que tinha vindo "para a Coreia do Norte depois de escolhê-la como abrigo".

O Departamento de Estado norte-americano disse estar a par dos relatos de que um cidadão dos EUA havia sido detido na Coreia do Norte e informou que está em contato com a Embaixada da Suécia em Pyongyang para tratar do assunto.

"Não temos novas informações para compartilhar neste momento", declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, em seu contato regular com a imprensa.

Os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas com a Coreia do Norte e os interesses dos seus cidadãos no país são representados pela Suécia.

Embora a agência KCNA tenha identificado o homem como Matthew Miller Todd, parece que o país adotou a forma coreana de colocar o sobrenome primeiro, seguido pelo primeiro e segundo nomes. Portanto, o nome do homem seria Matthew Todd Miller.

Kenneth Bae, um missionário norte-americano-coreano está detido na Coreia do Norte há mais de um ano. Ele foi preso quando liderava um grupo de turistas no país em 2012 e condenado a 15 anos de trabalhos forçados sob a acusação de subversão do Estado.

A Coreia do Norte cancelou duas vezes uma visita do enviado especial dos EUA para assuntos norte-coreanos de direitos humanos, Robert King, para discutir o caso do Bae.

Bae admitiu que realizava serviços religiosos na Coreia do Norte, um dos Estados mais isolados do mundo e hostil a ocidentais que defendem causas religiosas.

A porta-voz do Departamento de Estado disse que diplomatas suecos visitaram Bae em 18 de abril e que os EUA continuam "profundamente preocupados" com a sua saúde.

"Continuamos a exortar as autoridades norte-coreanas a conceder ao senhor Bae uma anistia especial e a sua imediata libertação por razões humanitárias", disse ela.

A família de Bae diz que ele sofre de uma variedade de problemas de saúde, incluindo diabetes, coração aumentado, pedras nos rins e dores nas costas.

No mês passado, a Coreia do Norte libertou John Short, de 75 anos, missionário australiano que tinha sido preso em fevereiro.

(Reportagem de Ju-min Park e Meeyoung Cho, em Seul; com reportagem adicional de David Brunnstrom e Arshad Mohammed, em Washington)

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