Coreia do Norte diz ter orgulho dos seus direitos humanos

A delegação norte-coreana na ONU declarou-se na sexta-feira orgulhosa do sistema social e da situação dos direitos humanos no isolado país comunista, e qualificou de infundado um relatório da ONU que descreveu "uma ampla gama de violações aos direitos humanos" na Coreia do Norte.

Reuters

02 de novembro de 2012 | 20h59

Entre os abusos citados pelo relator especial Marzuki Darusman em seu relatório anual estão o "amplo uso de campos para prisioneiros políticos, más condições carcerárias e prisioneiros sendo submetidos a trabalhos forçados, torturas e punições corporais".

O delegado norte-coreano Kim Song leu nota ao Terceiro Comitê da Assembleia Geral da ONU, voltado para questões de direitos humanos, dizendo: "Minha delegação rejeita total e categoricamente as infundadas alegações".

"O relatório do relator especial é produto das políticas hostis dos Estados Unidos e da União Europeia contra a RDPC (Coreia do Norte), e é um típico exemplo de politização, ambivalência e seletividade na questão dos direitos humanos", afirmou Kim.

Darusman se queixou da falta de cooperação norte-coreana à sua missão, e disse que "não houve melhoria na sombria situação dos direitos humanos" na Coreia do Norte desde o seu relatório anterior, em março.

O representante norte-coreano disse que Pyongyang já cooperou com órgãos de direitos humanos da ONU e da União Europeia, mas deixou de fazê-lo em 2006, depois que a UE passou a patrocinar resoluções da Assembleia Geral condenando a situação dos direitos humanos no país.

"Não temos nada a esconder", disse Kim. "Não temos nada a temer. Pelo contrário, nos orgulhamos do nosso sistema superior de promover e proteger os direitos humanos no nosso país, incluindo o atendimento médico gratuito e o sistema educacional gratuito. Vamos desenvolver e fortalecer ainda mais nosso sistema social que garante a promoção e a proteção dos direitos humanos."

EUA, Japão, UE e outras delegações divulgaram notas criticando a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. Darusman reiterou as preocupações com os campos de prisioneiros, onde segundo ele há 150 mil a 200 mil prisioneiros.

A China e outros países se queixaram da adoção pela Assembleia Geral --que reúne os 193 países da ONU-- de resoluções que critiquem países específicos por causa de direitos humanos.

O enviado norte-coreano disse que as acusações de Darusman se baseiam em "distorções e falsidades".

"Não reconhecemos nem aceitamos o mandato do relator especial nomeado por uma resolução contra a RDPC . É um grande erro se certos países esperam qualquer mudança da RDPC por meio da pressão política."

(Reportagem de Louis Charbonneau)

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