Coreia do Norte se diz totalmente preparada para o combate

A Coreia do Norte declarou nesta segunda-feira que colocou suas forças armadas em prontidão para o combate, em resposta aos exercícios militares anuais realizados por EUA e Coreia do Sul. Em nota lida na TV estatal, um militar de voz firme alertou que qualquer tentativa de abater um míssil de longo alcance a ser testado em breve pela Coreia do Norte será vista como um ato de guerra. A Coreia do Norte costuma acusar Washington e Seul de terem intenções agressivas com seus exercícios, mas a retórica desta vez é mais estridente e amplia a tensão na dividida península. Pyongyang disse que os exercícios são uma provocação que só poderia acontecer "na véspera de uma guerra", e ameaçou suspender a única linha telefônica que permite o contato entre os exércitos das duas Coreias, divididas há mais de meio século. Fuzileiros navais dos EUA realizarão exercícios com munição real ao norte de Seul, a apenas uma hora de carro da fronteira com a Coreia do Norte. A aviação norte-americana também deve participar do exercício, segundo fontes militares dos EUA. Enquanto isso, Pyongyang prepara um teste do seu míssil Taepodong-2, supostamente capaz de atingir o Alasca, e há especulações sobre a saúde do líder do país, Kim Jong-il. Pyongyang diz que o lançamento se destina a um satélite, como parte do desenvolvimento das suas comunicações. Porém, por causa de sanções da ONU, o país está proibido de disparar mísseis balísticos. "Abater nosso satélite para propósitos pacíficos irá significar precisamente uma guerra", disse o porta-voz militar na TV local. A imprensa estrangeira especulou na semana passada que Japão e EUA poderiam interceptar um eventual míssil balístico disparado pelo Norte. Ambos os países, junto com a Coreia do Sul, dizem não ver diferença entre o lançamento de um satélite e o de um míssil, pois ambos usam a mesma tecnologia e o mesmo foguete. Nas águas disputadas da costa oeste da península, não há sinal de que o Norte esteja prestes a transformar sua retórica em ação. Na semana passada, Pyongyang disse que não garantiria a segurança de aeronaves civis que se aproximassem do seu espaço aéreo, a caminho da Coreia do Sul, enquanto o Norte estiver preparando o lançamento do míssil. Várias empresas alteraram suas rotas por causa disso. Os mercados sul-coreanos mantiveram seu hábito de permanecer imunes à retórica do Norte comunista. (Reportagem adicional de Jack Kim e Jungyoun Park)

JON HERSKOVITZ, REUTERS

09 de março de 2009 | 10h19

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