Coreia do Norte vai julgar jornalistas e aumenta tensão com EUA

A Coreia do Norte disse nesta terça-feira que irá levar a julgamento duas jornalistas norte-americanas presas neste mês na fronteira com a China, o que agrava a tensão com Washington às vésperas do lançamento de um foguete norte-coreano.

JONATHAN THATCHER, REUTERS

31 de março de 2009 | 09h52

O regime comunista acusa as repórteres Laura Ling e Euna Lee, da emissora Current TV, de cometerem "atos hostis" não identificados.

Pyongyang pretende lançar entre os dias 4 e 8 de abril um foguete que, segundo o regime, colocará em órbita um satélite de comunicações. Os EUA e seus aliados asiáticos, no entanto, temem que na verdade se trate de um teste disfarçado com o míssil de longo alcance Taepodong-2, supostamente capaz de atingir o Alasca.

Um analista em Seul disse que há relatos de serviços de inteligência segundo os quais a Coreia do Norte parece ter desenvolvido ogivas nucleares para os seus mísseis de médio alcance Rodong, capazes de atingir o Japão.

"Ninguém sabe se isso tem 100 por cento de precisão", ressalvou o analista Daniel Pinkston, da entidade International Crisis Group.

O único teste norte-coreano com armas nucleares, em 2006, foi considerado um sucesso parcial, e especialistas dizem que o país não detém a tecnologia necessária para miniaturizar um dispositivo nuclear para uma ogiva. Porém, poderia instalar nos mísseis armas biológicas ou uma "bomba suja" (que espalha radiação por meio de explosivos convencionais).

O lançamento do foguete norte-coreano deve ser discutido paralelamente à cúpula do G20 nesta semana em Londres, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, irá se encontrar com o presidente chinês, Hu Jintao, cujo país é o principal aliado da Coreia do Norte.

Pequim tem evitado críticas diretas a Pyongyang, preferindo em vez disso pedir moderação a todos os envolvidos.

JORNALISTAS JULGADAS

As duas jornalistas foram presas há duas semanas junto ao rio Tumen, que demarca a fronteira entre China e Coreia do Norte.

"A entrada ilegal de repórteres dos EUA na RDPC (sigla oficial da Coreia do Norte) e seus supostos atos hostis foram confirmados por provas e por suas declarações, segundo os resultados de uma investigação intermediária conduzida pelo órgão competente da RDPC", disse a agência estatal de notícia KCNA.

"O órgão está realizando sua investigação e, ao mesmo tempo, fazendo um preparativo para indiciá-las em um julgamento com base nas suspeitas já confirmadas."

Em Washington, um porta-voz do Departamento de Estado disse que os EUA tentam resolver a questão diplomaticamente.

Peter Beck, especialista em assuntos coreanos da Universidade Americana, em Washington, disse que a prisão das jornalistas pode acabar gerando um canal de comunicação entre EUA e Coreia do Norte.

"Após o teste (lançamento do foguete) e de alguma queda de braço, (os EUA) irão tatear o caminho de volta para a mesa (de negociações). Mas realmente não sabemos se o Norte leva a negociação a sério a esta altura. Parece que não."

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed em Washington, Isabel Reynolds em Tokyo, Jack Kim, Jon Herskovitz e Kim Junghyun em Seul)

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