Córneas do menino morto são últimas do banco de olhos do Rio

Local responsável pela captação, preservação e distribuição do órgão, parou de funcionar por falta de recursos

Fabiana Cimieri, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2008 | 18h10

A morte do menino João Roberto Amorim Soares evidenciou um problema grave e quase desconhecido do Estado do Rio: o único banco de olhos parou de funcionar na terça-feira, 8, por falta de recursos. As últimas córneas recebidas foram as do garoto, de 3 anos e 11 meses, morto no último domingo, por policiais militares, na Tijuca, na zona norte do Rio. Desde então, segundo o responsável técnico pelo banco, Marco Antônio Alves, quatro possíveis doações não puderam ser captadas porque falta recursos até para colocar gasolina no carro.   A Secretaria estadual de Saúde informou que as córneas de João Roberto foram doadas para duas crianças diferentes. Uma das cirurgias foi feita nesta quarta-feira, 9, para a menina Lariza, de 8 anos, na Piedade. A outra cirurgia está marcada para quinta-feira, em um menino. Segundo o Banco de Olhos, atualmente existem 3 mil pessoas na fila de espera para receber o órgão.   O Banco de Olhos é uma instituição privada, que funciona dentro do Hospital Geral de Bonsucesso, que é federal. "O que a gente pleiteia é ser credenciado pelo Ministério da Saúde para receber por procedimento". Atualmente, o financiamento do banco é feito através de um convênio com a Petrobras. "Esse mês, por uma questão burocrática, o dinheiro ainda não foi liberado", disse Alves. Segundo ele, o banco é responsável pela captação, preservação e distribuição da córnea. O Rio Transplante apenas gerencia a fila única.   Não é a primeira vez que a instituição fica sem funcionar. No ano passado, ficou fechada por nove meses para obras de adequação para se candidatar ao credenciamento do Ministério da Saúde. Logo depois de reabrir, em novembro, voltou a fechar por falta de recursos. Em fevereiro, recebeu uma injeção de recursos da Secretaria estadual de Saúde e voltou a funcionar. "Mas como não houve continuidade e agora estamos com esse problema com relação ao convênio com a Petrobras, não temos condições de continuar operando", lamentou Alves.

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