Corpo de atirador francês é rejeitado em Toulouse e na Argélia

O corpo do atirador que matou sete pessoas na França este mês continuava sem ser sepultado nesta quinta-feira, depois que tanto a Argélia quanto a cidade onde as mortes ocorreram se recusaram a permitir que a cerimônia fosse realizada em seu território.

GÉRARD BON E JOHN IRISH, REUTERS

29 Março 2012 | 13h44

Mohamed Merah, um francês de origem argelina que foi morto a tiros pela polícia na semana passada após um cerco em sua casa em Toulouse, seria enterrado no país norte-africano a pedido de seu pai, que mora lá.

No entanto, uma autoridade francesa muçulmana disse que o prefeito da aldeia argelina de Bezzaz tinha rejeitado o pedido por razões de segurança.

"(Ele) deu uma resposta negativa", afirmou Abdallah Zekri, um assessor do reitor da Grande Mesquita de Paris, à Reuters.

Zekri disse que o corpo de Merah, cujo assassinato de três soldados, três crianças judias e um rabino chocou a França e invadiu a eleição presidencial francesa, seria, então, enterrado na cidade de Toulouse.

De acordo com Zekri, que estava na cidade resolvendo os preparativos para o funeral, e segundo uma fonte do Ministério do Interior francês, o funeral deveria acontecer nesta quinta-feira, às 12h (horário de Brasília), em um cemitério nos arredores da cidade.

Mas o prefeito de Toulouse, Pierre Cohen, adiou o enterro por 24 horas pedindo que o governo francês se pronuncie sobre a questão.

"Após a recusa do governo argelino em aceitar o corpo de Mohamed Merah, Pierre Cohen acredita que seu sepultamento na região de Toulouse não é apropriado", disse ele em um comunicado.

Nicole Yardeni, chefe regional do grupo judaico CRIF, afirmou que espera que as autoridades façam de tudo para garantir que o lugar onde Merah será enterrado não se transforme em um local de peregrinação.

Uma fonte do governo argelino confirmou mais cedo que o país havia se recusado a admitir o corpo de Merah para o enterro em sua aldeia natal, conforme solicitado pelo pai do atirador.

"A Argélia não tem nada a ver com este caso, e não entendemos por que alguns círculos na França estão tentando nos envolver nele. É por isso que tomamos a decisão de não admitir o corpo por enquanto na Argélia", disse a fonte, que pediu para não ser identificada. "Esta é uma decisão temporária."

Merah, um radical islâmico de 23 anos, confessou ter matado as sete vítimas à queima-roupa em três ataques separados semanas antes da eleição presidencial francesa.

Seu pai atacou autoridades francesas por terem matado seu filho em vez de prendê-lo e colocá-lo sob julgamento, e afirma que quer processar o governo francês.

O corpo de Merah está atualmente em um necrotério de hospital em Toulouse e os promotores estão investigando seu irmão mais velho, Abdelkader, por possível cumplicidade no caso.

A polícia ainda investiga outras pistas ligadas a Merah, incluindo a possibilidade de cúmplices.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse à rádio France Inter nesta quinta-feira que os serviços de inteligência pararam de rastrear os telefones de Merah e de sua família em novembro de 2011, após oito meses, porque nada estava vindo dele e continuar com o trabalho seria infringir as liberdades civis.

(Reportagem adicional de Lamine Chikhi em Argel)

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