Corpo de Eliza foi enterrado perto de Confins, diz primo

O crime ocorreu em 2010 e o corpo da modelo nunca foi localizado

ALEX CAPELLA, Agência Estado

24 de julho de 2014 | 17h46

Jorge Rosa Sales, 21 anos, primo do goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão pela morte da sua ex-amante Eliza Samudio, afirmou nesta quinta-feira, 24, que o corpo da mulher foi enterrado em uma pequena chácara próxima ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime ocorreu em 2010 e o corpo da modelo nunca foi localizado.

Sales, que era menor de idade na época, foi condenado e cumpriu medida socioeducativa em Minas por ter sido considerado culpado pelo sumiço de Eliza. Ele foi solto em setembro de 2012 e atualmente mora no Rio de Janeiro. A afirmação foi veiculada no programa Haroldo de Andrade, da Rádio Tupi. "Ela foi assassinada e enrolada em um lençol e colocada dentro de um saco plástico preto e enterrada em um buraco bem fundo escavado com trator em uma chacarazinha perto do aeroporto de Belo Horizonte", disse.

Sales foi o primeiro a denunciar a participação de Bruno no desaparecimento da modelo. Segundo ele, o corpo de Eliza teria sido levado ao local em uma EcoEsport e o goleiro teria ajudado a jogar terra na cova, escavada próxima a um coqueiro. "É próxima a uma estrada de chão, bastante deserta. Sei chegar ao local. Tem um coqueiro grande. E mesmo se não tiver esse pé, eu sei onde está", declarou.

O primo de Bruno foi acusado pela polícia de ter presenciado a morte de Eliza na casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como o assassino da moça. O imóvel fica em Vespasiano, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Questionado sobre o motivo das declarações neste momento, Sales disse que o caso ainda "mexe muito" com ele. "Foi muita pressão em cima de mim", afirmou.

O ex-advogado de Sales, Eliézer Jônatas de Almeida Lima, foi apontado na entrevista como uma das pessoas que teriam pressionado o primo do goleiro Bruno. Sales disse que o ex-advogado lhe pedia para "mudar as versões". Eliézer Jônatas de Almeida nega. "Infelizmente, não sei qual o motivo de ele aparecer agora e falar isso. Jamais o orientei nesse sentido", garantiu.

Na entrevista, o primo do goleiro isentou Bruno de ter tido participação ou conhecimento da morte de Eliza. O advogado de Bruno, Tiago Lenoir disse que a própria defesa ficou surpresa com as declarações de Sales. "Teve a oportunidade de falar isso em vários momentos e não falou. Vamos aguardar, agora, para ver o que o Ministério Público e a polícia vão fazer. Se isso virar prova e for usado no processo, vai ter tratamento adequado", ressaltou Lenoir.

O primo de Bruno, na mesma entrevista, acusou Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, como o mentor da trama, auxiliado por Bola. Ambos foram condenados pela morte de Eliza e hoje cumprem pena em regime fechado em prisões de Minas Gerais. O advogado de Bola, Ércio Quaresma, disse que as declarações de Sales não passam de oportunismo. "Ele mudou a versão uma dezena de vezes. Agora, estão querendo apontar o holofote sobre o processo, que está apagado, e o Jorge serve para isso", acusou Quaresma.

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