Arquivo/Estadão
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Corpo de Ruy Mesquita, diretor de 'O Estado de S. Paulo', é sepultado em SP

Autoridades, políticos, economistas, empresários, jornalistas e amigos prestaram as últimas homenagens durante o velório

21 Maio 2013 | 20h55

O corpo do jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo, foi sepultado às 15h25 desta quarta-feira, 22, no Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo. "Dr. Ruy", como era conhecido na redação, morreu nessa terça-feira, 21, às 20h40, aos 88 anos. Ele foi internado no dia 25 de abril no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Um câncer na base da língua havia sido diagnosticado no mesmo mês. A cerimônia de sepultamento terminou às 15h45, com uma salva de palmas.

Autoridades, políticos, economistas, empresários, jornalistas e amigos prestaram as últimas homenagens durante o velório, realizado na casa da família, no bairro do Pacaembu. Um cortejo, acompanhado por ao menos 20 carros, deixou a residência às 14h50, após uma missa.

Ruy Mesquita foi lembrado como um homem firme a seus ideais e que lutou pela liberdade do País e como um jornalista que não admitia erros de informação e acreditava na função política do jornal. Ele foi celebrado pelos editoriais, que foram "um norte para a economia e a política do País", nas palavras do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Além do governador, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os ex-ministros Celso Lafer e Maílson da Nóbrega e o prefeito Fernando Haddad, entre outras autoridades, prestaram suas condolências à família Mesquita.

Homenagens - Desde o início da manhã, o movimento foi grande no velório. Fernando Henrique lembrou a tristeza por perder um conhecido de mais de 40 anos. "Era um homem que dizia o que pensava. Fará falta como pessoa e jornalista sério", disse. Haddad declarou que o Brasil perde um "trabalhador da notícia, sempre aberto a ouvir as opiniões e o debate na sociedade."

Enquanto passavam pelo velório personalidades como o vice-presidente editorial das Organizações Globo, João Roberto Marinho, e o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, e o presidente do Grupo Abril, Fábio Barbosa, a notícia repercutia, dentro e fora do País.

A Associação Mundial de Jornais expressou sua "grande tristeza" pela perda de "um gigante do jornalismo brasileiro". O diário espanhol ABC lembra o jornalista como inovador ao criar o Jornal da Tarde e rememora sua histórica cobertura, ainda nos anos 60, dos primeiros meses da revolução cubana e do governo de Fidel Castro. Em Lisboa, o Jornal de Notícias destacou sua morte com comentários da presidente Dilma Rousseff e o canal TVI mencionou o Estado como "o jornal mais antigo da cidade e um dos maiores do Brasil".

Em nota de pesar, a Associação Nacional de Jornais define Ruy Mesquita como "um entusiasta do jornalismo mas, acima de tudo, um lutador incansável pela liberdade". A ANJ diz ainda que "seus 88 anos dedicados ao Grupo Estado e às causas que assumiu são um exemplo para os publishers brasileiros".

Entre outras figuras de destaque que passaram pela casa da família estavam o ex-ministro Andrea Matarazzo; o ex-governador paulista Laudo Natel; o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann; o diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel; o presidente do Conar, Gilberto Leifert; o publicitário Luiz Lara; o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, e o ex-chanceler Celso Lafer. "Ele sabia separar a notícia da opinião e marcou a vida no Brasil e o jornalismo", afirmou Lafer.

O ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, que foi diretor de Redação do Estado, disse que Dr. Ruy foi um dos jornalistas mais completos que o Brasil já teve. "Tinha importância fundamental para o jornalismo, com a defesa de suas ideias, com o liberalismo e a luta contra o autoritarismo."

João Roberto Marinho, das Organizações Globo, destacou a luta de Dr. Ruy pela liberdade de imprensa. "Deixa a lembrança de um homem que lutou, teve convicções e princípios a vida toda."

Para Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, o jornalista foi um homem de valores. "Se eu puder ressaltar uma de suas características, é acreditar na democracia e na possibilidade de as pessoas serem livres, e, para isso, ter um sistema econômico que contemple esses valores tão importantes para o País."

Ao longo do dia, notas e comunicados continuaram sendo enviados. A família recebeu mais de 50 coroas de flores em homenagem a Dr. Ruy. Entre os remetentes, a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o ex-ministro Maílson da Nóbrega, os publicitários Nizan Guanaes e Washington Olivetto, o quadrinista Mauricio de Sousa, o apresentador de TV Luciano Huck e empresas como o grupo Telefônica, o grupo Abril e o SBT.

Em nota, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, definiu o diretor de Opinião do Estado como "um jornalista plenamente consciente de sua missão, que seguiu com brilhantismo" e lembrou que "seu legado influenciou a todos nós, jornalistas e, certamente, continuará a influenciar as gerações futuras".

Liberdade - Seguindo a tradição da família, Ruy Mesquita foi um defensor da liberdade, da democracia e da livre-iniciativa, princípios que sempre nortearam a linha editorial do Estado. Ao longo de seus 88 anos, teve participação ativa em momentos importantes da história do Brasil e da América Latina. Presenciou o início da revolução em Cuba, nos anos 50, e foi homenageado pelos irmãos Castro. Depois, tornou-se crítico contumaz do regime.

Reuniu-se com militares antes do golpe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democracia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também passou a criticar a ditadura. Os três lideraram uma das mais emblemáticas resistências à censura prévia, substituindo as reportagens cortadas por poemas e receitas.

 

Aos 88 anos, Ruy manteve sua rotina de trabalho até a véspera da internação. Responsável pela opinião do Estado desde a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em 1996, ele se reunia diariamente com os editorialistas para definir as tradicionais "Notas & Informações" da página 3. De hábitos reclusos, dividia seu tempo entre o jornal e a casa, onde se dedicava a leituras. Deixa a mulher, Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, os filhos Ruy, Fernão, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto.

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