Correção: diminui ritmo de derrubada da mata atlântica

A nota enviada anteriormente contém um erro. Não houve, como informado, diminuição da área desmatada de mata atlântica. Houve uma diminuição no ritmo de desmatamento deste bioma (de 69% no período de 2000 a 2005, em comparação a 1995-2000). Segue abaixo o texto corrigido:O desmatamento na área de mata atlântica diminuiu 69% de 2000 a 2005 na comparação com o período 1995-2000. No primeiro período, o Brasil derrubou 445,9 mil hectares e, no segundo, 138,8 mil hectares, segundo informações do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, apresentado hoje pela Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).Segundo o coordenador técnico do estudo pelo Inpe, Flavio Ponzoni, a redução do desmatamento deve ser comemorada, mas ele chama atenção para outro ponto. "Resta pouco a desflorestar em vários Estados. Se há pouco, se desfloresta pouco", afirmou. Segundo o Atlas, a mata atlântica ocupa hoje apenas 7,26% de sua área original, que era de 1,3 milhão de km². Atualmente, restam 97,6 mil km² do bioma.No Espírito Santo houve redução de 95% das derrubadas, de 16,9 mil hectares (1995-2000) para 778 hectares (2000-2005). Em São Paulo, a diminuição foi de 91%, de 50,5 mil hectares para 4,7 mil hectares. No Rio de Janeiro a queda atingiu 85%, de 4,1 mil hectares para 628 hectares desflorestados.Para a diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, os dados são uma "ótima notícia", apesar de o problema persistir. "O levantamento nos deu esperança nesse começo de século", disse. "Mas os desmatamentos continuam acontecendo, o que exige atenção do poder público, das ONGs e do cidadão."Relevo acidentadoA situação melhorou no ES, SP e RJ, destaca a ambientalista, porque a mata que sobrou está em relevo acidentado, onde o corte ocorre em áreas menores. Em São Paulo, a situação é crítica na divisa com Minas Gerais, próximo a Poços de Caldas, e no Vale do Ribeira. Ponzoni atribui a devastação ao desenvolvimento das cidades, à especulação imobiliária e ao crescimento populacional.Ponzoni reclamou da falta de iniciativas concretas de preservação, até mesmo nas regiões onde diminuiu a derrubada. E informou que "nos Estados onde ainda há algo a ser alterado (ainda há quantidade relevante do bioma), as taxas se mantiveram elevadas". Santa Catarina foi o Estado em que mais se desmatou, com a derrubada de 45,5 mil hectares de mata atlântica de 2000 a 2005. O desmatamento na região aumentou 7% no período em relação aos dados de 1995 a 2000. Em seguida aparecem Minas Gerais, que perdeu 41,3 mil hectares de mata, e Bahia, com 36 mil hectares.JequitinhonhaApesar disso, Minas conseguiu reduzir em 66% o desmatamento, que havia sido de 121,1 mil de 1995 a 2000. Não há dados anteriores sobre a Bahia que permitam comparação. Para Ponzoni, os motivos que levaram à devastação nesses dois casos foram "a especulação imobiliária na região serrana e a agropecuária nas áreas planas." O técnico do Inpe informa que Minas tem hoje 9,92% de sua área original de mata atlântica e a região mais crítica no Estado é o Vale do Jequitinhonha, onde a "agricultura tem sido uma vilã incontestável".A Fundação e o Inpe fizeram ainda uma análise por município com dados de 2005 a 2007 de 51 municípios com maior área de mata atlântica derrubada. Os três municípios que mais perderam cobertura vegetal nativa no período são catarinenses: Mafra, onde se desmatou 1,7 mil hectares, Itaiópolis, com 1,1 mil, e Santa Cecília, com mil hectares derrubados.

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