Correção: Peritos analisam danos de sem-terra em SP

A nota enviada anteriormente contém um erro. O nome do proprietário da fazenda é Eduardo Bernardes, e não Eduardo Menezes. Segue o texto corrigido:Peritos do Instituto de Criminalística (IC) concluíram hoje o levantamento dos estragos causados por sem-terra que invadiram a Fazenda Macaé, em Andradina, no interior de São Paulo, que teve as instalações destruídas por trabalhadores rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) que invadiram a propriedade no fim de semana. Segundo denúncia dos donos da fazenda, armados, os sem-terra isolaram e impediram as famílias de colonos de deixar a área e, usando máquinas da Macaé, arrancaram 6 mil pés de café e destruíram 10 mil metros de cerca; depois, derrubaram e atearam fogo no barracão das máquinas e incendiaram toneladas de feno, colhidas na fazenda, que estavam em outro abrigo.Segundo o advogado da propriedade, Fábio Obici, 600 cabeças de ovinos foram mortas ou estão desaparecidas, assim como equipamentos agrícolas e 300 sacas de café, que sumiram. Os sem-terra também teriam furtado tambores com 8 mil litros de óleo diesel e 300 sacas de café beneficiado. "Eles ainda jogaram areia no motor, danificando três tratores e levaram motosserras e outros implementos de uso agrícola da fazenda", afirmou.De acordo com o filho dos proprietários da fazenda Guilherme Bernardes, os prejuízos superam R$ 500 mil. Hoje, a Polícia Civil da cidade aprendeu equipamentos da Macaé na casa de um homem (cuja identidade não foi divulgada). Investigadores encontraram tambores de óleo, a placa com o nome da fazenda, que havia sido levada, mangueira de hidrantes e outros equipamentos agrícolas que teriam sido furtados.No sábado, cerca 150 sem-terra organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais na Agricultura Familiar (Sintraf), da CUT, invadiram a fazenda em protesto contra uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) bloqueando o decreto expropriatório assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no começo de 2007. O dono da propriedade, Eduardo Bernardes, entrou com um mandado de segurança e contra a decisão de Lula depois de obter laudo pericial da Justiça Federal considerando a fazenda produtiva. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) entrou com dois agravos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o mandado e, na sexta-feira, havia perdido o último deles.''Revoltados''"Acreditamos que os sem-terra estavam revoltados com isso", disse. Os sem-terra saíram da propriedade no domingo, obedecendo à reintegração de posse concedida pela Justiça, mas continuam acampados na Rodovia Euclides de Oliveira Figueiredo, na frente da propriedade. Hoje, os advogados do fazendeiro entraram com pedido de desocupação do acampamento, o que havia sido feito e concedido pela Justiça em 2006. Como não fez a desocupação, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), segundo Obici, deverá ser responsabilizado, junto com os sem-terra, pelos prejuízos. Procurado, o presidente do Sintraf, José Carlos Bossolan, não foi localizado para comentar o assunto, mas sem-terra que não quiseram ser identificados confirmaram a invasão e a autoria dos estragos feitos na fazenda.

CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA AE, Agencia Estado

19 de março de 2008 | 20h38

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