Correria e falta de opção são desculpas

Ausência de rotina organizada também dificulta a alimentação saudável

PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2012 | 03h06

Ela pede um cachorro-quente prensado, completo. Ele, um churrasco com queijo - são 16 horas e aquele é o lanche do casal Patrícia Domiciano, de 31 anos, e Sandro Hiroyto, de 38, na paradinha antes de voltar para casa após o trabalho. Mas no carrinho/lanchonete estacionado ao lado da Estação Barra Funda do Metrô, o cardápio varia apenas entre hambúrgueres, salsicha, queijo derretido... Nada muito saudável.

"Estávamos de passagem, na correria do dia, e bateu a fome. Não tem outra opção aqui", diz Patrícia, que é promotora de vendas. "Em casa, a gente costuma comer mais verduras e frutas, mas sempre tem uns deslizes no dia a dia."

O casal conta que, por causa dos dois filhos, de 8 e 11 anos, a atenção na hora das compras é redobrada para dar preferência à comida saudável. É uma tentativa de criar um bom hábito na alimentação dos filhos, mas é difícil competir com lanches e frituras. "Eles preferem batata frita, hambúrguer, mas eu preparo bastante salada e tento fazer eles comerem", diz ela.

Hiroyto confessa que não abre mão de comidas gordurosas, apesar de ter consciência do mal que fazem à saúde. O que acaba sendo má influência para os filhos. "Eu sou ruim para comer salada, frutas, e meu filho mais velho me acompanha nessa", afirma.

Oportunidade. O estudante Luiz Henrique Vargas, de 21 anos, diz que só conseguiu mudar o hábito alimentar quando teve uma mudança de rotina. "Moro em república, geralmente almoçava pizza, comia isso até no café da manhã", diz o aluno do 4.º ano de Administração. "Só quando comecei a trabalhar é que consegui regular meu almoço. Agora escolho bem o que vou comer cada dia." Apesar do avanço, Vargas ainda sofre com a correria entre trabalho e faculdade. Ele faz estágio em São Paulo, mas estuda e mora em Sorocaba, a 95 quilômetros. Faz o trajeto todos os dias, num ritmo que dificulta encontrar um tempo para se organizar. "Não dá tempo de jantar, acabo comendo um lanche ou tomando só um refrigerante."

O estilo de vida de Vargas ainda tem outro reflexo negativo, comum entre estudantes: o consumo exagerado de álcool. "Na faculdade sempre tem festa, barzinho depois da aula. Bebo pelo menos três vezes por semana", diz. "Mas acho que também é uma fase, com o tempo vou tentar diminuir."

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