Corte afasta premiê da Tailândia e dissolve partidos

O primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, teve seus direitos políticos cassados por cinco anos e seu partido foi dissolvido na terça-feira, agravando o caos no país e suscitando temores de reações violentas de partidários do governo. Membros do partido juraram "seguir adiante" e eleger um novo premiê em 8 de dezembro, deixando antever outro momento explosivo na crise política que se arrasta há três anos no país. O primeiro vice-premiê, Chavarat Charnvirakul, assumirá o cargo de primeiro-ministro interinamente, segundo um porta-voz do governo. A Corte Constitucional também baniu dois outros partidos da coalizão de seis legendas de Somchai, considerando-os culpados de fraude na eleição geral de 2007, e cassou seus líderes por cinco anos. A decisão suscitou o risco de enfrentamentos entre governistas, de camisas vermelhas, que se reuniram diante do tribunal quando o juiz leu o veredicto, e milhares dos manifestantes antigoverno de camisas amarelas que bloqueiam os dois aeroportos da capital. Horas antes da decisão da corte, uma pessoa morreu e 22 ficaram ferias, vítimas da explosão de uma granada lançada contra manifestantes que ocupam o aeroporto doméstico de Don Muang. Não houve reação imediata ao veredicto por parte da Aliança Popular pela Democracia (APD), que invadiu os dois principais aeroportos de Bangcoc na semana passada numa "batalha final" para derrubar Somchai. A APD se recusara a negociar enquanto Somchai não deixasse o poder. O partido acusa de ser fantoche de seu cunhado, o premiê afastado Thaksin Shinawatra. O reverenciado rei Bhumibol Adulyadej, que interveio em crises políticas anteriores durante suas seis décadas no trono, não mencionou os problemas atuais do país no discurso curto que fez durante uma parada militar em Bangcoc. A cerimônia anual, em que o rei fala da necessidade de probidade militar, foi marcada pela serenidade, contrastando fortemente com o caos reinante em outras partes de Bangcoc. Cerca de 250 mil turistas estrangeiros estão impedidos de deixar o país devido às ocupações dos aeroportos de Don Muang e Suvarnabhumi, o aeroporto internacional que ficará fechado até 15 de dezembro, prejudicando gravemente o turismo no período crucial do Natal. O ministro das Finanças tailandês, Suchart Thada-Thamrongvech, disse à Reuters na segunda que a economia não crescerá ou crescerá apenas 1 a 2 por cento em 2009, após previsões anteriores de 4 a 5 por cento. Os seis partidos da coalizão governista prometeram continuar juntos e buscar uma votação parlamentar por um novo premiê em 8 de dezembro, deixando antever um novo confronto potencialmente violento na crise política que já dura três anos.

NO, REUTERS

02 Dezembro 2008 | 11h52

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