Corte de genocídio da ONU condena padre de Ruanda a 25 anos

Emmanuel Rukundo é um dos dois clérigos a ser indiciados pelo tribunal pela morte de 800 mil tutsis e hutus

GEORGE OBULUTSA, REUTERS

27 de fevereiro de 2009 | 11h33

A corte da ONU que está processando os idealizadores do genocídio de Ruanda, em 1994, condenou um ex-capelão militar a 25 anos de prisão nesta sexta-feira, 27, por estupro e por matar tutsis que buscaram abrigo em um colégio. Emmanuel Rukundo é um dos dois clérigos a ser indiciados Tribunal Criminal Internacional de Ruanda (TCIR) por seu papel do genocídio que durou 100 dias, durante os quais o Exército e milícias hutus mataram 800 mil tutsis e hutus de posição política moderada. "O Comitê Judicial... considera Rukundo culpado de genocídio, homicídio como crime contra a humanidade e extermínio como crime", disse o TCIR em um comunicado. O tribunal, que fica na Tanzânia, disse que Rukundo, que era escoltado por soldados ou membros de milícias durante a onda de violência, mantinha uma lista de tutsis cujos movimentos eram monitorados. Além disso, ele se envolveu no sequestro e assassinato de pessoas que buscaram abrigo em uma escola e também foi condenado por ter estuprado uma jovem tutsi. "O acusado é considerado culpado de ter abusado de sua autoridade e influência moral para promover o sequestro e o assassinato de refugiados tutsis", disse a corte. Rukundo, ex-capitão das forças armadas de Ruanda, foi preso em Genebra em 2001. Os anos que ele já passou na cadeia serão levados em conta. O tribunal começou a trabalhar em 1997 e, até agora, já deu 37 sentenças, das quais apenas seis foram absolvições. O tribunal deveria ter completado suas tarefas no fim do ano passado e ouvir apelações até o fim de 2010. No entanto, a Assembléia Geral da ONU está considerando estender este mandato. O secretário-geral da ONU, Ba Ki-moon, está visitando a Tanzânia e deve se encontrar com o TCIR nesta sexta-feira.

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