Cortes oferecidos fariam temperatura subir 3°C

Uma análise confidencial da ONU revela que o corte nas emissões oferecido até agora na COP-15 levaria a um aumento médio de 3°C na temperatura do planeta. A análise fere a credibilidade dos governos que dizem tentar limitar as emissões a um nível que garantiria um aquecimento não superior a 2°C ao longo do próximo século.

THE GUARDIAN, COPENHAGUE, O Estadao de S.Paulo

18 Dezembro 2009 | 00h00

Um aquecimento de 3°C significaria que até 170 milhões de pessoas sofreriam com enchentes nas regiões costeiras, enquanto outras 550 milhões passariam fome, além de colocar até 50% das espécies sob ameaça de extinção, segundo análise do governo britânico, de 2006. Mesmo um aquecimento de 2°C provocaria um declínio agudo no rendimento das colheitas tropicais e uma maior incidência de enchentes e secas.

O estudo data da noite de terça-feira e foi preparado pelo secretariado da ONU que administra a COP-15. O documento está marcado com os dizeres "não distribuir" e "rascunho inicial". Mostra uma lacuna de até 4,2 gigatoneladas de emissões de carbono entre os compromissos atuais e o nível exigido de 44 Gt, corte necessário para manter a alta na temperatura inferior aos 2°C. "A não ser que o buraco de cerca de 1,9 Gt a 4,2 Gt seja fechado e os países do Anexo 1 (desenvolvidos) se comprometam a implementar medidas agressivas antes e depois de 2020, as emissões permanecerão num rumo insustentável que pode levar a uma concentração de partículas igual ou superior a 550 partes por milhão, o que representaria um aquecimento de 3°C", diz o texto.

Para Joss Garman, do Greenpeace, é "um documento explosivo, que mostra que os números atualmente negociados levariam a um completo colapso climático".

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