Cotações do trigo devem manter-se firmes

Oferta menor do produto importado leva moinhos a fechar negócios antecipadamente, sustentando preços

Jane Miklasevicius, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2007 | 05h15

Os preços remuneradores obtidos pelos produtores na comercialização da safra de verão vão se repetir na principal cultura de inverno. Com a menor produção de trigo no hemisfério norte e os problemas para comprar o cereal na Argentina, os moinhos já se voltam para o mercado interno na tentativa de fechar negócios antecipados. Difícil é acertar um preço para setembro, quando o Paraná estará colhendo, ou encontrar um produtor disposto a negociar antecipadamente. O mercado argentino, que serve de parâmetro para as cotações internas, projeta para a safra nova preços entre US$ 220 e US$ 240 a tonelada, pelo menos US$ 100/tonelada a mais que em 2006. Além da incerteza sobre a emissão de licenças para exportação de trigo argentino, suspensas até o momento, há comentários de que o governo daquele país poderá aumentar o imposto sobre as vendas externas de trigo em grão, hoje em 20%. Com tanta especulação envolvendo o principal fornecedor de trigo para o Brasil, num volume equivalente a 70% das necessidades, até mesmo o pouco trigo nacional disponível da safra passada está sendo retido pelas cooperativas. Na semana passada, um moinho ofereceu R$ 550/tonelada e não conseguiu comprar. "Neste ano o produtor vai vender o trigo a preços acima do mínimo (R$ 400/tonelada)", prevê o diretor-presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih. Mesmo com a restrição de oferta, a indústria afasta o risco de desabastecimento. Há estoques até a colheita da safra nacional, em setembro. Além disso, moinhos do Nordeste compraram trigo dos Estados Unidos e do Canadá, num volume entre 200 mil e 600 mil toneladas, a ser desembarcado no País nos próximos três meses.

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