Divulgação/Prefeitura de SP
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Covas autoriza o uso de cloroquina em hospitais municipais no combate ao coronavírus

Medicamento, que já era usado na rede estadual, será administrado desde que haja prescrição médica e autorização do paciente

João Ker, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 15h47

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), autorizou o uso da cloroquina na rede municipal de saúde para casos do novo coronavírus. Em coletiva ao lado do governador João Doria (PSDB), Covas afirmou que o medicamento poderá ser indicado se houver prescrição médica e se o paciente concordar com o tratamento. O remédio, cuja eficácia ainda não foi totalmente comprovada, passa a incluir o protocolo oficial da Secretaria Municipal de Saúde. Ele já vem sendo usado na rede estadual de São Paulo com a mesma indicação. 

De acordo com o prefeito, São Paulo já conta com um estoque de 6 mil cápsulas de cloroquina, suficientes para tratar mil pacientes. Ele afirmou que foram encomendadas mais unidades do remédio. 

"Ainda não é possível ser uma política pública porque não temos pesquisas concluídas. Mas, havendo prescrição do médico e concordância do paciente, a Secretaria Municipal de Saúde passou a integrar esse medicamento no protocolo de tratamento da covid-19", declarou nesta quinta-feira, 9, durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

Ao longo da semana, a cloroquina esteve no centro de discussões entre o presidente Jair Bolsonaro, o governador Doria e o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo. Bolsonaro defende o uso da cloroquina e chegou a cobrar que Uip revelassse se usou a substância em seu tratamento contra a doença. Uip pediu que o presidente respeitasse sua privacidade e a privacidade de seu tratamento. Doria criticou Bolsonaro e afirmou que 'milícias virtuais' fizeram ataques ao médico e também pediu respeito.  

Uip reagiu ao comentário durante a coletiva de imprensa da quarta-feira, afirmando que foi ele o responsável por recomendar o uso do medicamento ao ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, durante reunião no último fim de semana. A indicação seria para pacientes internados com covid-19, mas sempre sob receita médica e autorização formal do paciente. 

No mesmo dia, Mandetta disse que Bolsonaro “em nenhum momento fez qualquer movimento de imposição” em relação à adoção da cloroquina no tratamento do coronavírus. Anteriormente, a posição oficial da pasta era de que a hidroxicloroquina ainda não seria universalmente recomendável por sua eficiência não ter sido plenamente comprovada. 


O Ministério da Saúde indica o uso cloroquina e hidroxicloroquina apenas para pacientes diagnosticados com a covid-19 que estejam internados com quadro grave de saúde.

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