Cozinheira teve os 2 filhos quando quis

A pílula anticoncepcional tomada rigorosamente no mesmo horário, todas as noites, garantiu a Elivaneide de Freitas, de 29 anos, a chegada dos dois filhos no momento em que ela quis.

, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

"É o melhor, o mais bacana, pela independência que eu tenho e porque ele confia", diz sobre a pílula a cozinheira, que trabalha ao lado do marido em uma pequena lanchonete na periferia da zona norte de São Paulo.

O anticoncepcional oral também permite que a auxiliar gráfica Thamires Silva, de 22 anos, mantenha o foco na carreira. Ela iniciou há pouco cursos na área de estética e quer dobrar a jornada de trabalho. "Eu não!", responde quando a reportagem pergunta se quer um bebê. Apesar do desejo do companheiro de ser pai, Thamires relata, porém, que é ele quem a lembra toda noite sobre a pílula. "Ih, se depender desse aqui...", diz Elivaneide, ainda olhando para o marido, quando questionada se ele dispensa alguma atenção para o uso da pílula.

Amiga de Elivaneide e Thamires, a dona de casa Luciene Correa, de 28 anos, está grávida de oito meses do terceiro filho, este não planejado, porque não se adaptou ao uso de uma pílula.

"Esqueci uma semana e aí bagunçou tudo", diz e engata uma risada. Fez as fotos, no entanto, alisando feliz a barriga.

Patrícia Campos, de 30 anos, também dona de casa, faz uso regular do anticoncepcional, mas não gosta dos efeitos para a pele. As amigas, ao ouvi-la, já saem a "receitar" pílulas que usam. "Mas quero ter outro filho, vou parar no ano que vem."

Segundo o presidente da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia, Nilson de Melo, após a prescrição, no prazo de seis meses a um ano, 46% das mulheres abandonam a pílula, apontam levantamentos da própria indústria farmacêutica. "A interrupção do uso é a principal causa da gravidez. Os métodos que dependem da usuária têm uma grande diferença entre teoria e prática. Na teoria é muito eficiente, mas, na prática, nos problemas com o uso podem ocorrer até 8 casos de gravidez por 100 mulheres em um ano."

Há, no entanto, a alternativa dos métodos que dependem menos da usuária, como o DIU, injetáveis mensais e trimestrais, anéis para serem colocados dentro da vagina e que liberam hormônios, além dos implantes - os dois últimos não estão na lista do SUS, porém.

"O ideal é que, na consulta, o médico faça um bom histórico da paciente, o exame ginecológico e físico, apresente os métodos e pergunte o que ela prefere. Aí verifica-se se não há contraindicação e o método é liberado. Só assim aumentaremos a adesão", diz Melo. Automedicação e falta de acompanhamento médico só contribuem para a não adesão.

Uma das contraindicações da pílula é o seu uso por fumantes acima dos 35 anos, pelo risco de derrame. "É a pílula ou o cigarro", afirma Melo.

Mulheres com enxaqueca que enxerguem pontos de luz também têm contraindicação, assim como aquelas que já tiveram enfarte, têm comprometimento das artérias pelo diabetes, trombose, pressão muito alta e que tiveram câncer de mama.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.