CPI aprova quebra de sigilo de Demóstenes

A CPI mista que investiga as ligações políticas e empresariais de Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais, quebrou nesta quarta-feira o sigilo do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento com Cachoeira, e de diversas empresas possivelmente ligadas ao grupo do suposto contraventor.

REUTERS

30 Maio 2012 | 14h36

Também foram aprovados requerimentos para que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie à comissão dados sobre movimentações atípicas de Demóstenes e de Cachoeira.

Os parlamentares decidiram por unanimidade quebrar o sigilo bancário, fiscal, telefônico, de email, SMS e Skype do senador Demóstenes Torres, suspeito de ter usado seu mandato para atuar em favor de Cachoeira e alvo de processo por quebra de decorro parlamentar no Conselho de Ética do Senado.

O senador, em depoimento ao conselho na última terça-feira, negou qualquer envolvimento com o jogo, mas admitiu uma relação de amizade com Cachoeira.

Os parlamentares aprovaram, também por unanimidade, a quebra de sigilos de empresas ligadas à organização.

Por outro lado, a CPI adiou a votação da quebra de sigilo do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e de três deputados federais, suspeitos de envolvimento com o suposto contraventor.

Os requerimentos estavam na pauta da comissão nesta quarta-feira, mas pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPI. Os documentos pediam a quebra dos sigilos bancários, fiscal e telefônico de Perillo, e dos deputados Sandes Júnior (PP-GO), Stepan Nercessian (PPS-RJ) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

"O que nós estamos propondo é um adiamento apenas", disse Teixeira, que presidia a sessão. "Tendo em vista que esta CPI recebeu no dia de ontem a quebra de sigilo que veio do Supremo Tribunal Federal de todas as escutas", sugerindo que sejam analisadas essas informações antes de se decidir pela quebra de sigilo.

Antes da decisão, parlamentares chegaram a discutir a capacidade da CPI de convocar governadores, resolvida pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

A CPI ainda pode votar as convocações de Perillo, e dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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