CPI da Pedofilia quer ouvir padres de Alagoas

CPI da Pedofilia quer ouvir padres de Alagoas

Três religiosos são acusados de abuso sexual de coroinhas; em Franca, outro padre se defende de denúncias

RICARDO RODRIGUES e BRÁS HENRIQUE, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2010 | 00h00

Um relatório sobre as denúncias de abusos sexuais contra menores cometidos por três religiosos que respondiam por paróquias em Arapiraca (AL) será entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito que apura crimes de pedofilia no Brasil, afirmaram as delegadas Bárbara Arraes e Maria Angelita. Nesta semana elas colheram mais de 20 depoimentos no município.

As denúncias, feitas por ex-coroinhas, atingem os monsenhores Luiz Marques Barbosa e Raimundo Gomes e o padre Edílson Buarque. Os religiosos negam as acusações.

O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI, manifestou interesse em ouvir as vítimas e os acusados, afirmam as delegadas. "Ele confirmou que a comissão vem a Alagoas para ouvir os envolvidos", disse Bárbara, delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes contra Crianças e Adolescentes.

O escândalo veio à tona após a divulgação de um vídeo, gravado por uma das vítimas no ano passado, no programa Conexão Repórter, do SBT. A gravação mostra o monsenhor Barbosa fazendo sexo com um jovem de 20 anos. O prazo das investigações, que terminariam no final deste mês, foi estendido em 60 dias. Os três sacerdotes foram afastados das atividades eclesiásticas.

Franca. A Polícia Civil de Franca, região de Ribeirão Preto, investiga supostos crimes de pedofilia envolvendo o padre José Afonso Dé, de 74 anos, da Paróquia São Vicente de Paulo. A delegada Graciela de Lourdes David Ambrosio, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), ouviu seis adolescentes, com idades entre 12 e 16 anos, que teriam sido vítimas do padre e apresentaram "relatos bem coerentes".

Na tarde de ontem, o padre Dé, como é conhecido, leu um manifesto no qual diz ser inocente e que aguarda a apuração da Justiça. A Diocese de Franca aguarda informações sobre a investigação das denúncias para que o bispo Pedro Luiz Stringhini se manifeste. A delegada Graciela busca obter consistência nos depoimentos e identificar possíveis outras vítimas.

Há cerca de duas semanas, uma denúncia anônima chegou ao Conselho Tutelar, que a repassou à DDM. De início, quatro adolescentes (que ajudavam a realizar missas e com vocações religiosas) se apresentaram como vítimas. Um deles disse que morou na casa do padre e que foi beijado por ele. Os assédios teriam ocorrido após missas, entre janeiro e fevereiro deste ano.

Nos depoimentos surgiram informações sobre beijos e carícias nas pernas e órgãos genitais dos meninos. O inquérito policial apura os casos como estupro de vulnerável. A delegada ouvirá pessoas próximas a Dé e o próprio sacerdote, que estava, nos últimos dias, em missões religiosas em Minas.

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